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Realização Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social, [música] Prefeitura de Campinas. A seguir, TV Câmara ao vivo. [música] TV Câmara, Campinas. Olá, boa tarde. Boa tarde para você que está acompanhando a programação ao vivo da TV Câmara Campinas. Agora são 2:20 e começa a partir de agora o debate público sobre junho violeta, campanha de conscientização e enfrentamento à violência contra a pessoa idosa. Com a palavra agora, a autora da iniciativa, vereadora Guida Calisto. Boa tarde. Boa tarde a todas as pessoas aqui presentes. Boa tarde à mesa. Quero cumprimentar aqui a Ana Cláudia Pastor, que é coordenadora da SAD Sul, Sudoeste. Obrigada. Ana Cláudia pela presença, disposição de estar aqui conosco. Quero cumprimentar também a promotora de justiça, Dra. Cristiane de Souza e Lau, representando aqui o Ministério Público Estadual de Campinas. Muito obrigada, promotora. A Mariana Serrano que é da Associação de Aposentados da CUT. Você que tá representando, não. [suspirando] Depois eu explico melhor. Depois você explica, tá certo? e também cumprimentar a presença do adotor, né, porque eu vi que ela tem uma carinha de menininha ainda, [risadas] eh, Juarez Mateus, que é o presidente do Coletivo de Aposentados e Pensionistas, Pessoas Idosas da CUT, subsédio de Campinas. A gente quer também registrar a presença desse público maravilhoso que estar aqui, a apresentar a Sônia, né, registrar a presença da Sônia. A Sônia que é presidente do Conselho do Idoso, Paulo Oliveira, que é conhecido como Paulinho, que é coordenador do departamento de aposentados do sindicato. Esse povo é tudo novo e é coordenador de departamento de aposentados, mas tá bom. dos metalúrgicos aqui de Campinas. A Moralice Pereira da Silva, que é do Conselho do Idoso. Ah, tá ali Mara. É aqui li Moura, mas não é por isso que eu olhei de novo pro cartão. A Isalene, que é ex-prefeita municipal, né? E membro do da marcha mundial da periferia. Eu fico, eu fico aqui numa resistência. [risadas] Isso que é da marcha mundial de mulheres e de e do grupo de mulheres da periferia. Alene, muito obrigada, viu, pela participação. Também a Domingas Cardoso Cunha, que é a nossa representante aqui do do grupo da mulher na periferia. Você não tá mais no conselho? Tô no conselho da mulher. Tá no conselho. Tô na Sona livre. Então é, você tá em todo um monte de coisa, né? [risadas] A a a Domingas é multi. Pois é, os dois são paro ali, né? Luía Amâncio, que é diretor do Departamento de Aposentados sindicato da SANASA. Luís, muito obrigada, viu, pela sua presença aqui conosco. Francisco José de Moraes da Silva. Cadê o Francisco? Aqui Mouras. Francisco José Moras da Silva, do centro de saúde Ozembo Maia. Obrigada, viu, Francisco? E a Gisline Antônio, que é representando aqui o gabinete do vereador Wagner Romão. Obrigada, viu, Gisline, pela presença aqui. E tem muito mais gente aqui, né, que a gente poderia anunciar. O Adão que tá aqui, que é do Sinergia também, que é faz aí uma discussão histórica no combate ao racismo da pessoa idosa também, né? Temos a Rosana, que é a diretora do do Sinergia também, eh, é do coletivo de mulheres, né, da Subscut, enfim, bastante gente. E depois e isso é você tá no Conselho das Mulheres, né? Conselho da Mulher aqui de Campinas. Bom, pessoal, obrigada pela presença, pela participação. Nós vamos agora eh fazer um debate, né, remetendo aqui ao Júlio Violeta, Júnior Violeta, que é nós instituímos como um dia, a pedido eh de vários de vários aposentados, de vários militantes, né, da causa dos dos aposentados e da pessoa idosa. foi nos pedido e nós conseguimos aprovar essa lei o ano passado. E é uma lei que faz uma uma discussão, né, Nauco, muito concentrada sobre sobre o os percalços que a pessoa idosa passa, tanto do ponto de vista da violência como também do abandono, né, de todos os tipos de violência. E o quanto cada vez mais o poder público, as instituições precisam estar atentas, principalmente porque a gente, nós estamos vivendo num período, num momento histórico, o Brasil tem tido um, as pessoas estão envelhecendo mais e isso remete, inclusive ao Estado apresentar políticas públicas para poder socorrer a população idosa, né? Vários de nós ou tem alguém eh idoso, acamado, ou tem alguém eh adoecido e que necessita de cuidado, né? Então o Junho e violeta, além de chamar atenção para a questão da violência com relação à pessoa idosa, a gente também aproveita para cobrar do estado uma alteração nas políticas públicas nessa perspectiva para garantir cuidado, porque o cuidado ele é um direito, né, individual, é uma necessidade da nossa sociedade. Então, para que o estado possa eh olhar, entender que que precisa apresentar políticas públicas para socorrer população idosa e ao mesmo tempo também precisa cuidar de quem cuida, né, Rosângela? Porque quem cuida na nossa sociedade são as mulheres, são somos nós mulheres que estamos nas esferas, na esfera do cuidado que cuida dos idosos, dos doentes, enfim, da família, dos filhos. Então a gente aproveita esse junho violeta para debater e reforçar essa agenda, tá? E aí, então eu vou abrir aqui para as pessoas que estão na nossa mesa. São os nossos convidados. Já teve algum combinado de quem vai falar primeiro? Você, então tá bom. Então quem vai falar é Ana Cláudia, né? Ana Cláudia. Ana Cláudia. Obrigada, viu, Ana Cláudia? Ah, só um um detalhe. Essa, esse debate tá sendo transmitido ao vivo. Então, quem tiver aí acesso ao YouTube, quiser compartilhar o link, tá? Porque ajuda a compartilhar, ajuda a gente a difundir o debate, a chamar atenção, alertar as autoridades para para essa necessidade, tá? E aqui na [limpando a garganta] mesa nós temos pessoas bem capacitadas para debater esse assunto e que nos honra bastante. Obrigada. [roncando] Boa tarde. Boa tarde. Eu me chamo Ana Cláudia. Eu atualmente eu estou na coordenação do serviço de atenção domiciliar da região sul e sudeste aqui de Campinas, mas trabalho no SUS Campinas desde 2016 e no SUS mesmo desde 2000 e 1, é, faz tempo já, né? Mais de 20 anos, esque, né? e agradeço o convite, né, para poder falar um pouco sobre a questão da violência e do combate, prevenção do idoso, mas na perspectiva que eu posso falar aqui um pouco também da atenção domiciliar, né? Eh, pensando muito nessa conexão que a gente tem, né, nessa entrada que a gente tem nos domicílios, que é onde as coisas acontecem, né, é no território, no domicílio, na casa que as coisas acontecem. não muito diferente do que a gente acaba conversando bastante sobre a violência contra a mulher, né, que é sempre na casa, intrafamiliar, com o idoso também não é diferente, né? Então, acho que a atenção domiciliar também tem um um olhar para isso que acho que é importante a gente trazer pro debate. Então, eu trouxe aqui uma apresentação só para organizar um pouco as ideias, né, porque a gente também que fala, a gente precisa também organizar nossas ideias, né, para poder, né, responder também a todas as questões. Mas assim, o junho violeta e também foi estabelecido pela ONU, né, uma data, né, foi a data de ontem, né, que seria o dia mundial da conscientização da violência contra a pessoa idosa, com esse objetivo, né, de alertar a sociedade sobre todas as formas de violência contra os idosos, né? Então, como a Guida já disse na na abertura, né, a gente tem, né, como constatação envelhecimento populacional, que é um processo, um processo acelerado e irreversível. Então a gente enquanto sociedade a gente tem que lidar com isso muito claramente, né? E a gente sabe que é fruto da transição demográfica, né? Nessa mudança, né, das taxas de natalidade e e combinada com o aumento da expectativa de vida que ocorreu, né, desde a metade do século passado, né, eh a região de Campinas, ela apresenta um envelhecimento mais acentuado que a média estadual e nacional. Isso foi comprovado, né, no censo, né, do IBGE. Então tem uma média nacional, Campinas, né, tem um um envelhecimento, né, uma taxa de envelhecimento acentuada. E a gente considera, acho que para começar o debate, né, que isso é um sinal de desenvolvimento e que pra saúde pública isso é uma conquista, né, envelhecer, poder estar envelhecendo é uma conquista, né, e porque todos nós a gente eh a gente aspira, né, eh ter uma vida, né, longa, né, isso é legítimo de cada de cada pessoa, né? Então, acho que importante a gente ter isso, né? Até pra gente ter essa visão assim enquanto sociedade, né, do se a gente aspira todo mundo envelhecer, né, porque o contrário disso, né, é não viver. Então, como é que a gente vai lidar, né, com com, né, com essa questão, né, enquanto sociedade, no enfrentamento real, né, e não, né, com enfrentamento violento e excludente. Eh, então, além do envelhecimento trazer ganhos sociais, ele também tem uma carga maior de pressão sobre o setor saúde, que é desse pedaço aqui que eu venho falar, né, porque aumenta a carga de doenças crônicas, de outros tipos de cuidado que a população também necessita, né, eh, utilizar. Então, também pensando no planejamento de uma sociedade, né? Eh, o setor de saúde também sofre essa, precisa fazer essa avaliação, né? Então, um pouco para falar, né, que a violência contra a pessoa idosa são ações ou omissões cometidas uma vez ou muitas vezes, prejudicando a integridade física e emocional da pessoa e impedindo o desempenho de seu papel social, né? Acho que a definição é importante pra gente partir daí pro nosso debate, né? E pra gente que lida com, né, com as, né, os pacientes, as pessoas que precisam de cuidados, é muito importante a gente, a gente sabe que o o idoso, a pessoa no geral, ela é um objeto de cuidados, mas a gente precisa fazer essa transição para ver que são pessoas que são tem são sujeitos de direito, porque a gente só coloca no cuidado e às vezes desvia o raciocínio, né, pro para coisas muito importantes, né, tem que chegar cada pessoa como sujeito de direitos, mesmo quando ela precisa de cuidados muito intensivos. como é no caso dos dos das pessoas que são acompanhadas pelo nosso serviço, né, muitas em cuidados paliativos, né? Então a gente fala do cuidado, mas dentro dessa perspectiva que são pessoas que são sujeitos de direitos, né? Então um pouco que eu fiz um levantamento seria que acho que é interessante trazer para cá pro debate que seria eh fatores de risco da pessoa idosa que sofre violência. Então assim, né, aqui a plateia tem bastante pessoas, bastante pessoas idosas, né, ainda bem. Então assim, né, dentro de uma população não é todo mundo, né, todo idoso que sofre violência, né, mas dentro das pessoas, né, dentro desse grupo que sofre violência, o que que chama atenção, né, quando isso acontece? são pessoas que podem estar num momento de uma dependência funcional ou vivendo um momento transitório de deficiência, seja porque teve alguma fratura ou tá mais dependente, né, para algumas atividades, que isso pode ser transitório ou não, ou por, né, sequela de alguma eh, de alguma doença, né, que atravessou a vida dessa pessoa ou está com a saúde física debilitada, um comprometimento cognitivo, o quadro de adoecimento mental e, principalmente a questão da desigualdade social, né, as pessoas com baixa renda. Então é importante a gente perceber porque quando a gente vai tratar com, né, com as pessoas, aplicar às vezes escalas, escore de risco, isso é algo que a gente tem que ter na nossa visão, né? São essas pessoas que necessitam às vezes de um de um olhar mais eh eh atencios atencioso, né, da da dos equipamentos, né? Então eu coloquei aqui uma umas notícias da mídia mais recentemente, né, que também traz aí eh tá se divulgando bastante, né, que Campinas, né, teve um aumento eh de registros de violência contra idosos, né, nos últimos 5 anos. Aumentou, né, no Brasil também como um todo, aumentou via o disque 100. Eh, teve uma reportagem mais recente dizendo que no caso das violências, das violências contra os idosos, as mulheres são as vítimas em sua grande maioria, né? Sempre, né? Sempre. Então acho que isso é importante pra gente ter marcado, né, como, né, a gente pensar também na nas políticas, né, quem que é a população, né, que tá sofrendo. E um pouco para listar, né, pra gente pensar quais são as violências que os idosos, né, tão, né, são estão sujeitos, né? Então, a gente tem, né, isso e eu retirei do guia de cuidados paraa pessoa idosa do Ministério da Saúde, o mais recente de 2023. Então a gente tem as violências que estão são relacionadas à negligência, né, que seria privação de medicamentos, descuido com higiene e saúde, abandono, o abuso financeiro e patrimonial, né, que seria a apropriação indevida de bens, pensões, cartão bancário, a violência psicológica, né, seria agressões verbais, o isolamento, né, um isolamento provocado, né, e humilhação, ameaças, a violência física, né, que são as agressões, né, que causam dano no corpo, violência sexual, né, qualquer ato que não seja sexual que não seja consentido e o o abandono, né, a ausência de cuidadores e exclusão do convívio familiar. Uhum. E também assim, estudando um pouco sobre o tema para tá aqui conversando, né? Existe também algumas, assim como tem os fatores de risco, tem algumas características individuais que são mais presentes nos agressores, né? Que também é importante pra gente marcar ali qual que é aquele aquela pessoa que a gente tá atendendo que a gente vai colocar ali uma bolinha vermelha para fazer uma, né, uma articular mais rede, rede de proteção, né? Então são pessoas que os os agressores podem ter algum quadro de adoencimento mental, mas eu queria ressaltar que isso não não exclui pessoas com adoencimentos graves de saúde mental cuidarem muito bem de outras pessoas, né? A gente no sádio tem alguns casos de muito sucesso, mas só para pra gente, né, relacionar aqui. Abuso de substâncias, né, quando o agressor tem uma dependência eh grande da vítima, né, e às vezes é uma dependência financeira. eh o tipo de relacionamento também, então as as violências que acontecem entre cônjuge e parceiro, filho, né, contra pai e mãe. É, então isso pode est, né, relacionado a um risco elevado e acho que a gente enquanto sociedade pensar nos fatores comunitários e sociais, né, a questão mesmo do preconceito etário contra pessoas idosas, né, e que às vezes em algumas culturas, algumas sociedades a gente vai normalizando, né? Então, a gente tem bastante relato, né, assim, tanto eh acho que começa assim quando a gente ouve o relato do idoso que usa o transporte público, né, que ele fala assim o quanto que eles estão sendo, né, invisibilizados ali, né, na necessidade, que finge que não conhece. Isso é uma é uma eh um sintoma mesmo da sociedade, né, de de não perceber, né, essas questões. Então, também eh importante enquanto, né, um fenômeno social, né, a gente também olhar para isso, né, até para pensar em prevenções às vezes na infância, né, em outros momentos, né, na escola, né? Eh, e acho que é importante marcar que globalmente e essa questão é uma questão muito eh sensível, né? Acho que a gente vive isso no Brasil, nas cidades, mas eh o envelhecimento populacional ele é mundial, né? Então muitas eh muitos países, né? Muitas cidades estão enfrentando isso, né? E e o que a gente percebe que o setor saúde, em muitos lugares é que toma frente disso, mas o setor de saúde não dá conta sozinho, né, disso tudo, né? E tem algumas eh localidades que é assistência social, né? Então que a gente percebe que para problemas complexos, né, que vão durar, né, toda a nossa existência aqui pra frente, né, tem que ser uma força, né, mais integrada mesmo, né? Eh, agora vou falar um pouquinho do meu pedaço lá, que é o o SAD, né, que faz parte do programa que é o programa Melhor em Casa, né? O programa Melhor em Casa, ele é um programa que proporciona cuidados domiciliares para pacientes que têm doenças crônicas e estão em fase de agudização. Não são para todas as pessoas, são para pessoas que têm uma condição eh que só conseguiria voltar para casa se for atendida por um serviço como o que eu atuo hoje, né? Então são são não são só idosos, né? a gente atende de zero a 105 anos, que eu acho que foi o mais velho que a gente já atendeu, né? São as crianças são muito marcadas pelas doenças raras, né? por condições, né, de desde o nascimento ou de acidentes e violências, né, também que muda o perfil daquela pessoa, né, assim, adolescente que é atropelado e fica totalmente dependente, né, volta para casa com respirando por aparelho, tal, a gente atende, né, eh, um jovem que se acidente acidenta e também vai ficar dependente para sempre, que também vai ficar às vezes sob cuidados de uma pessoa, às vezes de uma pessoa idosa, né, na casa, uma mulher. Eh, mas o grosso mesmo são as pessoas idosas, né? Tem bastante, tem bastante criança, tem adolescente, mas bastante idosos também. Então, é uma equipe multiciplinar que atua no contexto familiar, capacitando, né, cuidando também, mas capacitando o cuidador para fazer cuidados complexos até, né? Então, para alguns casos, a gente vai na casa todos os dias, às vezes duas vezes por dia, quando a gente quer controlar sintoma de doença grave, rara, né? eh e outras menos, mas a ideia sempre é atender e poder eh passar para fazer conexões com a rede também, né? E proporcionar o melhor cuidado para essa para essas pessoas, né? Então, ainda falando sobre o o serviço, a maioria das solicitações que a gente recebe é da rede hospitalar e de urgência, então são das UPAs dos hospitais e muitos de ambulatório de oncologia. Então, hoje é o que a gente atende, né? O que vem mais. E isso é o que tá preconizado pelo ministério mesmo, né? Eh, pensando que a atenção domiciliar não é só o SAD, né? A tensão domiciliar ela, a gente fala que ela é de baixa, média e alta complexidade, né? A baixa complexidade é a visita do centro de saúde, né? Que que também visita o as pessoas acamadas, né? na casa que tem uma frequência e quando essa pessoa ela precisa de atendimentos mais intensivos, aí é é com a gente. Isso não impede da gente também fazer atendimento que a gente chama de ombro a ombro quando a unidade precisa de uma visão de uma equipe multipertise. Então a gente faz muito atendimento em conjunto pontual para fazer alguma orientação, né? E e é bem interessante porque é uma potência do serviço que é uma atuação em rede, né? E a gente se considera nesse sentido, eh, como a gente recebe bastante dos hospitais e também remete muita atenção, eh, primária aos ambulatórios de reabilitação, a gente se considera como observatório do sistema, né? Então, a gente consegue perceber muito que jeito que tá vindo essa pessoa lá do hospital, né? Porque a gente quando vem pra gente já vem lá da gravidade, vem descendo a escada do sistema, né, que a gente fala. E e como a gente tá no território bastante firmes, a gente também tem essa visão do território, como é que as famílias se articulam com serviços. Então é muito interessante, né? Eh, e tem essa potência também de fazer conexão com outros equipamentos da rede. Eh, e nesse sentido é uma posição estratégica, porque a gente tem esse acesso privilegiado, né? A gente tá nas casas, a gente trabalha com vículo e confiança, né? com atendimento longitudinal, eh, sem por ser uma equipe multi que tá sempre juntas, assim, o o a gente tem uma visão ampliada para as condições de vida, as relações familiares e ela é uma porta de entrada da rede de proteção também. Eh, então quando o a gente identifica também situações de violência, a gente também pode notificar e encaminhar, né? E a gente também pode fazer ações, né? A gente faz ações, né, no na atenção domiciliar, visando a prevenção de algum de algumas questões, né, que é bem identificada no domicílio, né? Então, desde a avaliação do ambiente doméstico, risco de queda, às vezes é o idoso cuidando de outro idoso ou de outra pessoa, né? Então, a gente tem que estar atento também ao ambiente, né? A orientação familiar. A gente identifica muito sobre a carga do cuidador, né? que a gente tava conversando aqui, lembrando que às vezes é uma pessoa que deixou de trabalhar, está vivendo também eh do benefício daquela pessoa que tá sendo cuidada, né? Isso é uma questão muito importante, acho que pra política nacional de cuidados, né? De superar isso, né? Até porque às vezes é algum ente da família que tava ali cuidando e de repente ele eh para a vida, né, para cuidar, mas quando essa pessoa às vezes falece, ela tá sem renda, né? ela tá totalmente eh desprovida, né? Então também é um o cuidador também é objeto do nosso cuidado, né? E bom, educação e saúde, fortalecimento da rede de apoio com a conexão com outros serviços comunitários, né? E o que eu acho que é importante, que é uma equipe que a gente sempre discute sobre as dificuldades, né? Tentando superar e entender qual que é o papel de cada um ali nos cuidados. A gente tem um casos exitosos, né, com relação à violência. Eh, acho que muito pela potência de estar no território. Então, um dos casos que a gente, né, mais de um, né, que a gente atua muito forte, é quando tem a presença da da UPA que identifica alguma coisa, né, alguma questão de violência, mas sabe que tá no território, sabe que às vezes não é nem no nosso perfil, mas às vezes pede uma visita porque já tá pensando em amarrar algo. E outro equipamento que a gente tem articulação e que tem muita potência, né, na questão do das violações de direito, eh o pessoal da assistência social do PSE, que é o serviço de proteção social especial no domicílio, né? Eles têm os cuidadores domiciliares, é bem interessante também a atuação com eles, né? Então traz, né? Os casos que a gente teve em conjunto sempre foram muito bem encaminhados, né? Eh, a gente tem desafios também, o setor saúde, né? ele é cheio de desafios, né? a formação profissional, a dificuldade de articular, né, com a rede de proteção, que pode ser superada, né, com uma melhor comunicação entre atenção domiciliar, assistência social, mas também os atendimentos mais ombro a ombro, acho que menos do que referenciar no papel, acho que tá junto mesmo, acho que faz a diferença. E também pensando nos profissionais que atuam, né, com cuidado mesmo, né, com porque dentro das casas são muitas situações de violência que a gente vê. Então é preciso também cuidar dos profissionais que que vão identificando isso, né? E e lembrando, né, que a gente lida com idosos de alta dependência, né, que são idosos que, por exemplo, não teria, se se a família é insuficiente pros cuidados, eles não têm uma LPI comum, não dariam conta do do caso deles, né? São pessoas com dispositivo, com traqueostomia, com gastrostomia, então são mais complexos mesmo, né? Isso a gente sabe que traz uma pressão sobre os leitos hospitalares, né? Que é uma questão, né? que acho que quem é do conselho de saúde aqui sabe, né, o quanto que isso é importante e isso pressiona, né? Então é algo que a gente já sabe que acontece, né? Então acho que para encerrando, né? Eh, acho que a política nacional de cuidados, né, ela é recente. A gente conversou, né, um pouco no começo sobre ela, né, acho que ela tem que expandir bastante, né, e acho que ela tá ainda muito no diagnóstico, né, e mas acho que precisa ter uma política forte mesmo, né, de ações, né, eh, as situações complexas, ela precisa de atuação, né, multidisciplinar, né, intersecretarias, né, para superar. E e acho que queria deixar uma questão aqui, porque falam muito de isolamento do idoso, mas falam também bastante do idoso que quer morar sozinho e que deve morar sozinho, né? Que é diferente o fato de viver sozinho e o apoio social, né? Então você pode viver sozinho, ter um apoio, né? Acho que logo no começo alguém falou assim, né, de uma vila de idosos, tudo mais, né? Assim, você viver sozinho é uma questão, você não ter convívio social, apoio é outra, né? Inclusive tem um estudo que fala que viver sozinho diminui a chance de sofrer violência. [risadas] Então a gente tem que pensar nisso, né? Então assim, o apoio social fortalece mais viver sozinho, diminui. Mas diminui a partir do momento que você não tá depende. Mas como é que a gente pode articular outras questões na sociedade que venham a superar, né? Então, né? Seria isso que eu trouxe para pro debate. Tá bom? Obrigada, Ana Cláudia. Gente, só para contextualizar, Ana Cláudia, ela é servidora pública de carreira, é uma mulher que tem uma militância e um compromisso muito forte com a causa dos idosos, com a e com o trabalho de saúde que ela cumpre, né? Ela fala, eu falo os idosos porque eh ela eh obrigatoriamente acaba cuidando mais dos idosos, como ela disse, né, que é o é o número maior de atendimento, mas ela é do nosso campo, tá bom? Vocês podem ficar tranquilos, tá? Ela já me amarrou. cuidaqu. É. E ela cuida. É, ela cuida. Exatamente. Não é? E é. E ela é cuidadora também, né? E ela cuida de quem cuida. Então, é porque quando a gente porque a gente tem tido muita dificuldade, né, gente, com os gestores aqui, sabe, no município. Então, quando aparece um gestor, a gente já fica, [risadas] né, nervosos. Só para acalmar, porque ela é nossa. Tá bom, gente. Vamos lá. A Mariana, por favor. Obrigada, viu, Mariana? Tá ligado? Tá. É porque Boa tarde, gente, tudo bom? Bom, eh, vou me apresentar direito, né? Porque na verdade é muito é muito é muito interessante para mim essa pergunta sobre a apresentação. Inclusive, quando pediram para eu mandar meu minicurrículo ao organizar aqui as atividades de hoje, é sempre algo um pouco custoso para mim por um uma escolha de vida e uma escolha de trajetória que vem de militância, vem de estudo, vem de posicionamento acadêmico, vem de muita coisa ao mesmo tempo, né? Mas eh essa sociedade capitalista que a gente vive, ela ela traz incutida a ideia de que se você fizer algum tipo de ultraespecialização, sabe aquele médico que é especialista no dedo mindinho esquerdo, sabe? é como se você tivesse algum tipo de qualificação maior. Então a gente se sente, né, numa tentação de de trazer aquela super área de especialização. E eu advogo, eu advogo há 15 anos, eu milito desde antes disso, né, em causas sociais, trabalho com grupos oprimidos, né, com trabalho dentro da análise desses marcadores sociais da diferença. E a idade é um marcador social da diferença. Sim. E aí, eh, quando me pedem assim, ai que áreas que que área que você advoga? É sempre muito difícil para mim, porque eu advogo com sindicatos desde que me desde antes de me formar, assim, né? Na verdade, trabalho com sindicatos, mas advogo com sindicatos desde que me formei. Mas eh uns 14 anos atrás eu tive comecei a ter contato com uma militância feminista dentro do direito e comecei a advogar também para mulheres, paraa população LGBT, que é PN+. Comecei a advogar também paraa população negra, para para as pessoas socializadas, para pessoas idosas e comecei a trabalhar com grupos vulneráveis e fui percebendo coisas em comum quando a gente advoga e trabalho direito dentro dessa perspectiva dos grupos oprimidos, né? Então, quando você desloca o problema jurídico pro sujeito de direitos, em vez de pensar nas divisões tradicionais do direito, e você coloca o sujeito de direitos na coluna vertebral da narrativa jurídica e fala: "Olhar para essa situação, olhar para esta pessoa, para esse indivíduo que tá aqui, com todas as características que esse indivíduo tem, é mais importante às vezes, porque nem sempre a proteção integral desta pessoa vai est contemplada no ordenamento jurídico e no que a gente tem hoje, né? né? E aí temos ótimas iniciativas, inclusive para construir um horizonte e um futuro, né? É quando a gente começa a a entender que eu vou ter que misturar um monte de coisa aqui, porque não adianta eu atender uma pessoa que sofre uma violência doméstica, por exemplo, e aí a pessoa quer se divorciar e quer fazer uma denúncia de de uma violência doméstica. E eu vou pedir para essa vítima repetir 30 vezes a história dela para cada advogado da especialização que ela precisa conversar, né? Então foi quando eu fui entendendo e aí isso se tornou uma pesquisa de doutorado, né? que foi eh os olhar pro sujeito de direitos e entender quem são, quais são as características desse sujeito de direitos, né? Porque quando a gente estuda na faculdade, no primeiro manual da faculdade, eles reproduzem uns nomes, gente, eu morro de dar risada, que são nomes desde da Roma antiga, porque o direito civil brasileiro ele é muito semelhante, tem muitas heranças aí no direito romano, né? Então é o Tício, o Mévio e o Caio. E aí eu falo: "Qual que é a idade do Tício? Tício nunca foi descrito em nenhum problema jurídico a partir da narrativa de uma pessoa idosa. E por que que não tem atícia? E mévio é um nome feio, mas se a pessoa quisesse retificar o nome é só porque é feio, não é porque mévio é trans, né? Então assim, onde tá o sujeito? Quais são as características do sujeito que é protegido pelo direito? Porque, né, na sua fala anterior você trouxe, é, Ana, né? trouxe Ana algo muito muito importante, né? São sujeitos de direito. Eu gostei, achei ai coisa que parece que foi é brinde assim, é presente, né, do universo, assim, trazer justamente isso. Mas sim, né, as pessoas idosas são sujeitos de direito, sujeitos da nossa sociedade são sujeitos de direito, eles vão ter essas características. Agora, às vezes parece que tem gente que é um pouco mais sujeito de direito do que outras pessoas quando a gente vai vendo na prática. Então, enfim, tudo isso nessa grande digressão para dizer que eu sempre tenho essa dificuldade de falar uma especialização, né? Eu tenho o meu mestrado, mas também vou falar também, ai vamos doutoramento em filosofia do direito também não [risadas] é uma área que as pessoas vão se interessar muito, mas é o campo onde a gente consegue encontrar articular a articulação desses problemas que vem dos marcadores sociais da diferença e e olhar paraa importância desses sujeitos e colocar o sujeito na centralidade da narrativa, né? E aí quando a gente fala eh dos do nosso tema de hoje, né, do combate à violência contra a pessoa idosa, a gente vai continuar falando aqui sobre apagamento. É uma palavra que aparece muito, né? E veja, não é invisibilização, porque não é uma coisa acidental, é apagamento. É uma estrutura social que impõe um apagamento proposital. Um apagamento para quê? para que a pessoa seja destituída da sua característica de poder expressar sua vontade. Então, como é que é o raciocínio social? A pessoa idosa não falam que é o o que nem um bebê de novo? Não é isso que a sociedade fala? Ai, a gente cuida quando é neném e volta a cuidar de novo quando é idoso. Não é, não é isso que é falado. Isso é uma forma de destituir a vontade da pessoa, de colocar ela alheia a sua vontade. Eh, quantas vezes a gente não vê tratando do patrimônio de uma pessoa idosa ali na frente dela, como se ela como se já fosse herança? A pessoa tá viva ali na frente e o pessoal tá conversando sobre as coisas, a pessoa tá viva. Tipo, gente, vocês estão me matando, o que que tá acontecendo? [risadas] Eu tô aqui, né? Eh, não é uma impressão, né? Como eu vi algumas colegas aqui falando, não é uma impressão quando disseram eh falaram sobre o maior índice de violência contra as pessoas idosas acontecer com mulheres. Não é uma impressão, isso tem dados. Então vamos aos dados. Aí eu preciso olhar, gente, porque aí de cabeça é complicado, né? [risadas] Mas, ó, quase 60% da violência que acontece contra pessoas idosas é direcionada a mulheres e mais de 72% acontece no lar. Então, o lar ainda é o lugar mais perigoso para as pessoas idosas. Naturalmente, quando a gente fala de violências que acontecem contra mulheres, a gente também já localiza essas violências dentro do lar, né? Até a violência sexual que as pessoas criam imaginário que acontece nas ruas escuras é mentira. O maior índice de violência sexual acontece com crianças, meninas menores de 14 anos dentro de casa por pessoas conhecidas. Mas quando a gente fala de pessoas idosas, naturalmente esse esses problemas de estrutura social, eles vão continuar acontecendo. Então assim, uma pessoa idosa que é negra não vai deixar de ser negra porque ficou idosa igualmente, né? Então e e essa esses marcadores sociais da diferença que que marcam os corpos das pessoas, eles vão continuar marcando ao longo da vida. A questão é que vai vir a idade como um fator que também vai trazer preconceitos, também vai trazer discriminações, também vai trazer dificuldades de acesso a coisas básicas como sujeitos de direitos, né? E além disso, a gente tem um dado muito muito triste, né? Que aí eu acho que traz uma realidade que porque existe aí alguma semelhança, né? A gente tá falando, ó, mulheres sofrem dentro do lar, pessoas idosas, a maioria das vítimas são mulheres, então, portanto, também acabam sofrendo a maioria dos problemas dentro do lar. Mas aí vem uma peculiaridade que é muito, acho que dolorida, né, da da do do sofrimento, das violências que são sofridas pelas pessoas idosas, que é o fato de que assim quase 40% dos agressores são familiares e filhos ou sobrinhos ou netos, assim, relação familiar direta. A gente não tá falando de cunhado, a gente não tá falando de vizinho, a gente não tá falando, né, de de gente que tá dentro de uma comunidade familiar, mas ainda com vínculo distanciado. E aí pensa só, se já é difícil, por exemplo, para uma vítima de violência doméstica e familiar denunciar um marido, como é que é para denunciar quando você apanha de um filho, né? A mulher aguenta. Então assim, eu cuido de um caso, eu o último atendimento que eu fiz a essa mulher deu tudo certo. Ainda bem, né? Mas foi na semana retrasada, ele foi, ficou comigo por alguns anos, mas o filho dela dependente químico e a mulher apanhava dele toda vez que ele tava com algum problema de uso abusivo, quando ele voltava do uso abusivo da substância. Um cara de 43 anos, eu não tô falando aqui de gente super novinha, não tô falando aqui, eu tô falando de uma pessoa que já tinha uma vida encaminhada, né, que enfim, era para essa para essa mulher tá em um pouco mais de paz e tranquilidade, não tava, né? E aí eu eu falava muito com ela, falava: "Vamos denunciar, eu te ajudo, eu tô com você em todo o caminho, tá aqui o caminho, você vai ter uma proteção, né, tanto de todo o regramento destinado pra pessoa idosa, né, paraa proteção da pessoa idosa, como a gente tem também aqui uma Lei Maria da Penha que a gente aplica para você, a gente pede uma medida protetiva, esse cara não vai poder entrar na portaria do prédio, mas ela não quer fazer isso, porque ela não quer fazer isso contra o próprio filho. Sim. Então existe uma camada emocional dentro do problema. Quando a gente olha que um número expressivo, né, das pessoas que são os agressores são pessoas de um contato familiar tão direto e tão próximo, né? E existe também, por outro lado, uma naturalização de certas coisas que são violências. E aí eu achei, eu separei alguns exemplos assim para também não ficar tanto tempo aqui repetindo, né? Eu acho que a gente já teve uma exposição anterior que trouxe bem didaticamente alguns tipos assim, né? um geral dos exemplos que podem acontecer, mas tem certas situações que a gente naturaliza dentro da nossa vivência social e que e que são importantes. Então, é dizer, o recorte de gênero, ele é importante, ele vai perpassar, vai perpassar tudo, como foi dito aqui, em todos os ambientes, as mulheres vão ser mais vítimas, todas as É isso. Ponto. Agora, independentemente, né, olhando para isso, se a pessoa eh envelheceu e todo mundo quer envelhecer, aliás, um parênteses porque foi foi colocado aqui, né, pela vereadora aqui, que é o caminho de todo mundo, se der certo, porque o oposto disso seria não viver. Acho que enfim, foi, ah, foi por você, Ana. É, mas eh eu tava no elevador essa semana e aí tem uma senhora com quem eu converso muito, ela deve ter uns 82, 83, alguma coisa assim. E aí ela tava falando que tem síndrome do túnel do carpo, tava contando a a dor que ela tem na mão. Ela falou: "Nunca envelheço". Eu falei: "Ah, mas aí a senhora me complica, né, dona Cida? Como nunca envelheço? Quer dizer que eu vou morrer. Oxe, logo que vou envelhecer. Quer que eu não morra? Quer que eu vou envelhecer? Sim, quero envelhecer. E quero envelhecer com acesso, com dignidade, com saúde, com escuta, né? Com tendo a minha voz respeitada, né? E aí eu é onde entra essas coisas que eu vou trazer para você de exemplo de como se naturalizam essas violências, né? Então, por exemplo, eh, ah, tá aqui mais para baixo, pera aí. Essa questão de tratar do patrimônio da pessoa idosa, é quase como se ela não tivesse ali com vontade para dispor sobre o patrimônio, né, que eu já tava dando. Então, ai junto os filhos, o sobrinho, todo mundo começa a falar: "Não, essa casa aqui fica com não sei quem, o carro não sei o qu". E essa esse conjunto de de prata aqui que ganhou no casamento vai ficar com quem? Tipo, gente, pelo amor de Deus, [risadas] né? Existe um negócio muito legal que chama testamento, que eu vou, eu sugiro para todo mundo fazer e fazer na miúda, tá? Faz na sua, na miúda, entendeu? sem ficar contando aí para todo mundo que vai fazer testamento, porque olha, as pessoas elas são muito folgadas [risadas] aqui. Juridicamente advogando há 15 anos, o diagnóstico é folgada, né? Não, [risadas] mas é as pessoas são, elas são assim mesmo. E e isso é uma naturalização, porque o que que tem por trás disso? Tem por trás um pensamento de que a pessoa quando ela chega numa certa idade, ela não tem agência para falar sobre si e sobre o seu patrimônio e sobre como ela quer viver a sua vida, né? Então, até pensar, por exemplo, em idosos, pessoas idosas que querem morar sem sem estar morando com a família, por exemplo, no é estranho, mas não é para ser, né? Não é para ser. Se a gente tá justamente localizando que um grande número de violências acontece dentro do ambiente doméstico, naturalmente que o estar ali eh com agência e independência dentro desse ambiente doméstico pode ser certamente muito mais seguro do que estar ali com gente que fique em cima com más intenções. Eh, outra coisa que eu sempre que eu casos que eu pego reiteradamente, então, né, nesses anos aí fazendo isso que eu quis trazer são alguns exemplos por cima de casos e me pediram alguns exemplos financeiros especificamente hoje para trazer. Então, haverá um enfoque maior nisso, tá? Mas a retenção de cartão bancário é muitas vezes utilizada como uma justificativa eh para uma administração das contas da pessoa. E aí, ai você vai pegar fila, você vai fazer não sei o quê, não, deixa que eu pego, deixa que eu cuido. E aí a gente vê um mesmo padrão se repetindo. Os familiares começam a pagar contas próprias com o cartão da da pessoa, né? Começam a decidir o que paga, o que que não paga. De repente a pessoa idosa vai descobrir quando quando cortam uma luz. Aí você vai falar: "Ué, mas não tava pagando essa conta. Que que aconteceu aqui? Quando vai ver, já tá com dívida até o pescoço. E gente, tudo que eu vou trazer aqui não é que eu ouvi uma, duas, 10 ou 20, é que eu vi muito, tá? eh, empréstimo consignado. E aí, como hoje a questão do banco é tudo por é muita coisa por aplicativo e pode ser resolvida digitalmente, vem aquela segunda camada que é a pessoa não sabe mexer no aplicativo, não enxerga o telefone, não isso, não aquilo, não sei o quê. Deixa que eu mexo para você, deixa que eu mexo, deixa que eu faço para você. Quando você vai ver, você tá com parte da pensão do INSS bloqueada, porque o banco tá executando e pode bloquear até 30%, né, do do da renda do patrimônio e nem sabe de onde veio essa tal dessa dívida que gerou isso, né? E aí vai fazer o empréstimo consignado, mas também não só esse, né? Todas as as operações bancárias que são possíveis a um clique hoje por um aplicativo no celular, elas são viabilizadas, né? Elas são, o problema não é a forma da operação, obviamente, mas o problema é as pessoas se utilizarem da facilidade que é esse instrumento somada com a dificuldade com tecnologia que é natural e todas as pessoas ao envelhecer vão ir tendo com as novas tecnologias que vão surgindo, porque faz parte, né? Eh, e usar essas duas coisas como uma ferramenta para distanciar a pessoa da decisão econômica dela mais uma vez. E aí sempre com aquele pano de fundo, né, de uma narrativa de que a pessoa é incapaz de tomar decisão por si. Aí, ó, ah, o outro caso clássico que é a apropriação da aposentadoria, né? Então, aquela família que vai recebe aposentadoria, às vezes entre irmãos e filhos ali, né, da pessoa, os irmãos vão se dividindo e aí divide uma parte para cada pessoa ou eh alguém passa a assumir as contas em nome de uma facilidade na vida e quando vê a pessoa não sabe nem o que que tá sendo pago, o que que não tá sendo pago. Já faz tantos anos que isso tá sendo cuidado por outras pessoas que já não sabem nem o valor, nem se teve reajuste, nem se teve algum incremento ou alguma retirada desse valor, né? enfim, essas essas coisas que vão mudando, a pessoa já se distancia do seu cuidado. Veja, quando a gente fala sobre isso com pessoas não idosas e a gente fala de mulheres em contexto doméstico que tem o salário eh controlado, por exemplo, pelo marido, isso é claramente uma violência financeira e patrimonial protegida pela Lei Maria da Penha. Mas a gente naturaliza essa lógica dentro da pessoa, da dos cuidados e da administração da vida da pessoa idosa. Então, a gente já reconhece no nosso ordenamento jurídico que isso é um problema, que isso é uma falta de agência, que as pessoas têm que ter, eh, pelo menos participar dessa decisão, né? Pode ser que às vezes operacionalmente seja mais fácil, mas ter ciência de tudo que tá acontecendo. Mas quando a gente leva isso pra lógica do cuidado com a pessoa idosa, novamente vem o raciocínio, ah, não, esta pessoa precisa de ajuda, né? é sempre um ser indefeso que precisa de ajuda, sempre assim, né? Ã, a questão dos imóveis que eu falei, né, que ai, faz logo a doação, passa logo para fulano, né, que enfim, desses casos que parece que a pessoa nem tá ali para decidir. Eh, o uso abusivo de procuração, então procuração com poderes amplos, né? aquelas procurações que são reconhecidas em cartório, muitas vezes elas são utilizadas de forma abusiva para além do combinado e aí a pessoa assina em prol de uma facilidade, em prol de [limpando a garganta] resolver problemas também, né? Porque é difícil pensar a lógica para resolver esses marcadores sociais da diferença. Nunca vai estar numa pessoa só ou numa atitude só. sempre vai est articulada com o problema da sociedade que a gente vive e da forma de produção que é a produção capitalista e o e como isso impacta na nossa vida. Então, a solução individualista eh eh estaria muito distante de pensar, né? Aí a gente tenta trazer a solução pros problemas, paraa nossa lógica. Eh, e ao fazer isso a gente quer resolver. Então, poxa, se a pessoa vai ter um problema com deslocamento, a construção da urbanidade da cidade não é bacana o suficiente e aí de repente a pessoa tem um problema de mobilidade e não vai conseguir ir pro banco, você vai acabar assinando uma procuração. Então, no final das contas que eu quero dizer assim, os problemas eles vão somando, né, esses marcadores sociais da diferença, eles vão intensificando essas situações. Então, muitas vezes a resposta vai ser assinar uma procuração, porque tem uma série de outros marcadores sociais ali que estão acontecendo de problemas, né, de distância, da dificuldade que é no transporte público, da da questão do acesso, da questão da fila, enfim, né, de desrespeitos e tudo mais, que vão acabar levando a pessoa naturalmente à conclusão de assinar uma procuração, mas muitas vezes ela não sabe o que que tá assinando. E a gente vai ter aí transmissão de propriedade, a gente vai ter aí eh assinatura de contratos, tudo que uma procuração pode permitir que seja feito de negócio jurídico aí de ato jurídico em nome de uma pessoa, pode ser feito também a revelia dessa pessoa com uma procuração que ela não conhece os termos, né? E aí um um último exemplo aqui também para não tomar muito tempo e para que, né, todas as pessoas possam trazer esses repertórios aí com tranquilidade, que eu tenho visto mais assim recentemente, acho que existe desde sempre, mas eh mais de uns 7, 8 anos para cá que eu tenho ouvido casos que têm tido mais luz, talvez porque as mulheres passaram a ter menos vergonha de falar sobre essa situação, mas que é o estelionato afetivo, né, que é o se utilizar da proximidade emocional. da proximidade sexual, da proximidade eh afetiva para conseguir movimentações financeiras, tirar algo da pessoa, né? E aí depende do que que a pessoa tem. Pode ser um INSS, pode ser um imóvel, pode ser um carro, pode ser uma joia, pode ser, enfim, né? o o que a pessoa pode ser tudo isso junto, pode ser fazer dívida, a pessoa não tem nada, mas ela tem um nome limpo. Então ass, né, muita coisa que que pode acontecer. Mas eh como também a sexualidade da pessoa idosa é uma outra coisa que é apagada, porque a pessoa idosa não tem prazer, a pessoa idosa não tem vontades, a pessoa idosa não tem nada, né, do jeito que a sociedade olha para para essas pessoas, né? Então é como se sempre que a pessoa tivesse num relacionamento com alguém fosse ser para ser enganada. E aí fica aquela sempre aquela dúvida. Eu estou tendo, se eu se eu penso numa amiga minha que a idosa tá se relacionando com uma pessoa nova, primeiro, se fosse um cara se relacionando com uma mulher mais nova, ninguém ia se preocupar, né? Agora, qual que é o limite em que a preocupação faz sentido e o limite em que a pessoa tem que ter a liberdade de viver os direitos sexuais dela com tranquilidade? Porque a gente precisa se preocupar em cuidar, né? A gente precisa se preocupar em entender e aí você tá passando coisa no do nome da pessoa, não tá? Como é que tá? Mas ao mesmo tempo também a gente precisa entender que a pessoa tem liberdade de viver os direitos e os direitos também são estes, né? Também são de acessar ã uma vida confortável, gostosa para todo mundo, que envolve também se relacionar com pessoas, né? E aí eu tenho achado nos últimos anos esse tema muito interessante, porque ele trabalha uma coisa que é uma zona cinzenta, né? A gente não vai ter um nemum é muito difícil colocar categoricamente o que que tá certo, o que que tá errado, né, nesses limites. Agora, existem algumas proteções cíveis, né? Então, se a pessoa vai e transfere mais de 50% do patrimônio dela para outra pessoa, ela tá ferindo direito de herança. Isso. Esse tipo de doação, por exemplo, é o que a gente chama de doação inoficiosa. A pessoa não pode doar mais da metade do patrimônio ali de uma vez, né, para para outras pessoas. Então, existem algumas proteções jurídicas, existem sinais de alerta que valem olhar, principalmente o maior deles é a mulher tá sendo distanciada da rede de apoio dela, porque se ela tiver sendo distanciada das amigas, dos familiares, né, do das atividades de lazer, aí é um grande sinal vermelho. Agora, se não, o tanto que a gente não pesa quando um homem mais velho se relaciona com uma mulher mais nova, também não deve ser pesado quando uma mulher mais velha for se relacionar com um cara mais novo do que ela também. né? Eu acho que é isso. Então, eu acho esse esse tipo de caso muito interessante, porque ele é justamente o equilíbrio entre as duas coisas. Qual que é o nível de preocupação que a gente tem que ter versos lembrar que são sujeitos de direito, que são pessoas e que são pessoas que têm o direito de se relacionar, de viver, de ser felizes, de ser alegres e de, enfim, transitar aí pela pela vida da melhor forma possível. É isso, gente. Muito obrigada. [risadas] Obrigada. Arrasou. Eh, é a Cristiane. É, é, é porque eu sempre sei que ele fala por último. [risadas] Isso. Já tá bom. Boa tarde a todas as pessoas. É um prazer enorme estar aqui com vocês discutindo esse tema. Queria cumprimentar aqui minhas colegas de mesa, juarez. eh, praticamente escotaram, né, o tema aqui, falaram muito bem ambas. e agradecer a vereadora, por ter me convidado para esse debate. Ministério Público tá sempre à disposição aí de todos e de cada um de vocês. Bom, eh falar um pouquinho aqui também, fazer uma breve apresentação. Eu ontem completei 27 anos de Ministério Público. É bastante assustador. Nem sei. Uma amiga fala assim: "É, é parabéns que a gente dá, né?" Ela ficou na dúvida. Enfim, eu não não sei, mas 27 anos de Ministério Público e 16 aqui em Campinas. Mas só no ano passado, só a cerca de um ano, é que eu assumi as atribuições voltadas à tutela das pessoas idosas. Antes eu trabalhava com improbidade administrativa, com a saúde pública, mas sempre trabalhei com a inclusão social, com os grupos, né, ditos minorizados, vulnerabilizados. Então, de certa forma, eu diria que eu também trabalhava com as pessoas idosas, porque, como disseram aqui, né, as minhas colegas antecessoras, principalmente aqui a Mariana, agora, a lógica de opressão, a lógica de hierarquização dos corpos é a mesma, né? Quando a gente tá falando das mulheres, quando a gente tá falando das pessoas negras, quando a gente tá falando da comunidade LGBTQ, APN+, quando a gente tá falando das pessoas idosas, é sempre a lógica estipulada na naturalização de uma forma de vida que a gente criou, em que uns exploram os outros e as pessoas valem pelo que elas produzem a partir de determinados padrões. eh, heteronormativos, enfim, padrões que a gente estipula como bonitos, como certos, como adequados, como funcionais, sobretudo para que poucos fiquem ricos e muitos sejam explorados ou pior, descartados, invisibilizados, apagados. E os corpos que não trabalham tanto, que não produzem tanto, são os corpos realmente eh que tão, né, nessa nessa parcela de apagamento. E por isso, de uma certa forma, embora não tenha trabalhado diretamente com as pessoas idosas, eu as via sofrendo mais nas violências domésticas, eu as via sofrendo mais em todas as quando a gente estava falando de pessoas negras, né, quando a gente fala de pessoas negras idosas, enfim, é sempre uma potencialização aí desses marcadores sociais, né, que a gente observa no dia a dia. Mas enfim, há cerca de um ano eu tô trabalhando aí especificamente com as pessoas idosas e eu tenho aprendido muito e tenho ficado bastante eh interessada cada vez mais nessas trocas que a gente tem que fazer nesses encontros, né, nessas reuniões, nessas escultas que a gente tem que fazer para pensar sobre as políticas públicas para as pessoas idosas. Tenho visitado muito as entidades de atendimento aqui de Campinas, as ILPIs, instituições de longa permanência para pessoas idosas. Eh, vou focar um pouquinho nisso para não ficar repetitivo aqui em relação ao que já foi dito em relação às violências interubjetivas, né, aquelas que acontecem de pessoa para pessoa nos núcleos familiares. Então, vou puxar aqui um pouquinho paraas ILPIs pra gente tentar abordar um pouco também esse tema. Bom, Campinas, como vocês sabem, tem 175 instituições de longa permanência conhecidas, foras que não são conhecidas porque funcionam clandestinamente. Dessas 175, apenas cinco instituições têm subvenção pública, 170 são instituições privadas. Nós temos em Campinas uma fila de espera de cerca de 170 pessoas vulnerabilizadas que estão esperando para serem institucionalizadas e que são consideradas pessoas em situação de risco pela própria prefeitura municipal, dado que a própria prefeitura nos passa. e em andamento, um edital para colocação de cerca de 40 pessoas em instituições eh de longa permanência, de mais um serviço para 40 pessoas. Então, nós temos aí uma promessa de uma política para essas 40 pessoas que estariam em situação de risco, mas não temos ainda no horizonte o que fazer com essas outras pessoas e temos uma quantidade muito grande significativa de instituições de longa permanência. Aí quando a gente observa assim, bom, mas são instituições privadas, então as pessoas que estão lá, elas têm poder aquisitivo, elas podem pagar, né? Tá tudo bem com elas porque elas estão dando conta ali eh do dos seus cuidados. Não, não está tudo bem com elas e elas são pessoas que não tão não pertencem a uma classe social eh eh privilegiada. Muito pelo contrário, o que a gente tem observado, né, Sônia, você me corrige se eu tô errada, que a Sônia aqui, presidente do Conselho Municipal também faz aí as visitas nas instituições. O que a gente tem observado nessas instituições é que a maioria das pessoas idosas que lá estão são pessoas com vulnerabilidade socioeconômica. Muitas vezes são familiares eh muito simples que trabalham nessa escala 6 por1, que trabalham 12 horas por dia, não tem tempo de cuidar de suas pessoas idosas, porque chegam em casa, tem filhos pequenos para criar, tem dupla, tripla jornada de trabalho e acabam eh se valendo dessas instituições porque não não dão conta mesmo dos cuidados dessas pessoas. E são pessoas que às vezes assim os filhos estão lá pagando R$ 200, R$ 300 cada um, são vários filhos. E a mensalidade da instituição é R$ 2.000. Com R$ 2.000 não se cuida bem de uma pessoa idosa numa instituição. E é o que mais a gente tem visto, instituições eh com muita pouca estrutura humana, com muita pouca capacitação de seus funcionários, estrutura material. E e para além disso, né, mesmo quando a gente observa que, ok, essa instituição tá dando conta ali do básico, do básico da sobrevivência de uma pessoa idosa, né? Então, vamos pensar que uma pessoa idosa, ela, o básico do básico é comer, tomar banho e estar limpinha, né? É isso que é o básico do básico. E o resto, né? Foi falado aqui muito do desejo da pessoa idosa, né, do sujeito. As duas falarem, eu também vou vou repetias porque é importante mesmo que a gente coloque essa palavra aqui na discussão. Sujeito de desejo, eu diria, né? As pessoas idosas têm desejos, elas têm vontades, elas têm gostos, elas têm subjetividades. E o que mais se observa mesmo naquelas entidades que, como eu disse, põe para dormir, limpam, dão um remedinho na hora certa, dão comida, é que a subjetividade tá totalmente apagada. Então, quando eu chego lá e eu pergunto assim: "Eh, essa pessoa, ela ela qual a comida preferida dela?" Porque vocês dão sopa, né? frango. Ela gosta de frango? Isso nunca foi perguntado se ela gostava de frango. O frango é colocado na frente da pessoa, né? E a sopa toda a noite tem sopa. Ela gosta porque não é porque a pessoa tá velha que ela tem gostado de sopa, né? Pode ser que a vida inteira ela nunca comeu uma sopa, ela detesta sopa e aí chega lá toda a noite tem a sopinha ali para ela. Então assim, são perguntas básicas, né? São questões básicas que dizem respeito às singularidades que realmente é desafiante quando a gente tá numa instituição, porque a gente tem ali 20, 30 pessoas para cuidar e é difícil mesmo um tratamento mais singularizado, mas é necessário, né, na medida do possível. E aí são várias questões, né, desde essa assim da da comida que você gosta, a roupa que você vai vestir, como o que mais tem doído para mim quando eu vou nessas entidades é ver o aprisionamento. Não tem outra palavra para dizer. As pessoas idosas estão presas nas instituições. E logo uma das minhas primeiras visitas foi muito impactante porque uma senhora idosa chegou para mim e falou assim: "Doutor, a senhora é promotora? Ah, então deixa eu perguntar uma coisinha. Que crime que eu cometi para est em prisão domiciliar? É, e ela tinha razão, né? Aí ela, ela mesma remendou e falou assim: "É por é por ter ficado velha, esse é meu crime, é não ter morrido antes, porque eu tô em prisão domiciliar, eu não saio da casa". Então, o que a gente observa é assim, quando a família não vai buscar a pessoa idosa e não tira ela da casa para ela passear, para ela ver o céu, assim, para ela ver a rua, para ela olhar pra rua, para ela ver as pessoas se movimentando nas ruas, para ela ver a vida acontecendo fora dos muros da casa. Essas pessoas estão como a gente estava ali na pandemia, que a gente quase morreu, que não conseguia sair para nada. Até pior, porque às vezes a gente punha a máscara no supermercado correndo, elas nem isso fazem, né? Elas estão trancadas dentro de casa, elas realmente estão em prisão domiciliar, porque não existe eh e aí quando você pergunta pra entidade, a entidade com R$ 2.000, gente, realmente ela fala assim: "Bom, eu precisava de um carro, eu precisava de uma de mais pessoas, como é que eu vou levar essa pessoa na pracinha do final da rua?" Porque às vezes é só isso, é só levar numa pracinha, só levar para dar uma volta no quarteirão. Eu cheguei outro dia numa entidade que tinha um senhor andando de lá para cá num corredor que era menor do que a distância dessa parede a essa, era um pouquinho menor que isso. E ele ficava andando assim. E aí eu quis entender o que tava acontecendo e ele disse que ele era um atleta. A vida inteira correu, fez muita ginástica, fez muito espot e ele precisava se movimentar. e ele fazia todos os dias 7 voltas no corredor da casa. Então é esse tipo de situação que a gente tem visto nas entidades, né? Atividades culturais, né? Então também a pergunta, né? Mas quais as atividades culturais que essas pessoas, né, t gostam, fazem? Aí você tem visto assim que às vezes, né, nessa nessa nessa perspectiva de infantilização, eles falam assim: "Ai, aqui a gente dá uns desenhos para eles e aí coloca uns papéis e realmente tem algumas pessoas idosas que desenham, que pintam, que gostam." Mas não é exatamente isso, né? É muito mais do que isso, né? É a convivência. É a convivência, é a comunidade, é você trocar ideias, é você conversar. Isso não tem muito a ver com eh instituições caras, porque de fato, claro que as instituições caras têm mais condições mesmo e tem um serviço às vezes muito melhor em muitos aspectos, mas eu fui numa instituição simplesinha de tudo na periferia de Campinas e aí a coordenadora fala assim para mim: "Ah, toda tarde a gente senta aqui embaixo dessa mangueira e aí a gente joga a conversa fora". E assim era isso, né? Era tinha um vínculo ali, né? Então, eh, algumas eh eh algumas nuances assim, né, do cuidado, você considerar a pessoa idosa, mesmo quando ela tem uma demência, mesmo quando ela tem um Alzheimer, com a sua subjetividade, com os seus desejos e com a sua singularidade. Porque também uma outra coisa que eu vejo muito é a redução da pessoa idosa a um diagnóstico mental, psiquiátrico, né? Então, eh, às vezes eu chego na nas casas e falo: "Boa, bom dia, né, boa tarde, eu sou promotora de justiça, meu nome é Cristiane". Aí a coordenadora não entendem nada, eles têm Alzheimer. E assim, eu, eu sei que eles têm podem ter Alzheimer, mas é uma pessoa que tá ali. Então, é, evidentemente eu preciso me apresentar porque eu tô entrando na casa deles, né? Eu preciso bater na porta do quarto, eu preciso entrar eh quando eu vou mexer no armário, quando eu vou mexer nas coisas, eu preciso pedir licença. Muitas vezes eu tenho visto os cuidadores, eles sequer pedem licença para mexer no corpo da pessoa, né? Então você tá, às vezes a idosa tá torta, né? Precisa arrumar realmente, com licença, né? Eu vou arrumar a senhora. Imagina se tá ali, né? Sem conseguir se mexer, alguém, né? Mexe em você como se você fosse um objeto, né? Então, assim, algumas algumas situações que você observa que são mesmo de desrespeito à subjetividade daquela pessoa, né? Outro dia também uma pessoa idosa tava falando assim para mim com Alzheimer, então ela falava, algumas eh tinham uma narrativa desconexa, né, no espaço e no tempo, tinha algumas questões ali bastante, né, difíceis de compreender dentro da nossa lógica racional e tudo mais, mas ela tava falando muita coisa ali que dizia respeito a ela no meio daquilo tudo e ela dizia que ela tava com uma coceira infernal e que ela não conseguia eh eh que ela tava muito incomodada com a coceira que ela tava sentindo. E eu falei pra coordenadora, ela tá sendo cuidada, tão levando na na UBS? Aí ela disse assim: "Ela é paciente capsa". Eu falei: "Não, tudo bem, entendi. Mas ela, eu acho que ela tá com uma coceira. Ela tá falando, pelo que eu tô entendendo, ela tá com uma coceira. Então, às vezes é isso assim, né? às vezes reduz a pessoa a aquele aquele diagnóstico da demência, né, do Alzheimer. E e e é muito mais do que isso, né? A gente não consegue saber exatamente o quanto, né, de percepção sensorial e e intelectual, né, que essas pessoas têm do do entorno, né, de onde elas vivem. E aí assim, eu tô dando esses exemplos, né, de de situações que eu vivi aí, que eu tenho observado nas ILPIs para falar assim que eu tenho observado que o poder público ele acha, ah, como elas estão nas instituições e elas são privadas, eu não tenho nada a ver com isso, não tenho nada a ver com essas pessoas. Tem assim no sentido de fiscalizar, então a vigilância sanitária faz um trabalho maravilhoso, vai lá, confere se as normas técnicas estão sendo bem cumpridas. O Conselho Municipal da Pessoa Idosa também tem feito um trabalho muito atento nas instituições, mas eu digo que há algo que tem que ser cobrado, né, para além da fiscalização das normas técnicas, se estão sendo cumpridas ou não, que esse é justamente essa política pública de cuidado que tem que ser eh regulamentada e que pode ser regulamentada em âmbito municipal, independentemente da complexificação da da eh da do desenvolvimento dela em âmbito nacional, né, que tá sendo feita, né, que tá acontecendo. Mas em âmbito municipal a gente podia ter uma política pública de cuidado e que eh previsse como que o poder público pode ajudar e pode se costurar com essas entidades, com essas ILPIs, até para entender porque que tem tanta ILPI privada e tão pouca ILPI pública. E também se questionar, será que a gente precisa de tantas entidades assim, de institucionalização total, será que não existem caminhos outros, né, com eh maior eh convivência com as redes, com a comunidade, como vilas, como centros dias, né? Quantos centros dias a gente tem em Campinas em que a pessoa idosa vai lá, passa umas horas, passa o dia, mas seu familiar depois de trabalhar o dia inteiro, pode ir lá buscar essa pessoa? dorme com essa pessoa, essa pessoa continua convivendo na sua casa, né? Ou ajuda mesmo, auxílio para cuidadores, né? Foi falado aqui pela Ana, né? Dos cuidadores que precisam às vezes largar seus trabalhos para cuidar de uma pessoa idosa e ficam vivendo da aposentadoria. Mas olha o risco disso, né? Realmente, como ela bem disse, a pessoa idosa fala e essa pessoa vai viver do quê? Ficou fora do mercado de trabalho. Então, como que o poder público pode ajudar, pode incentivar esses cuidadores? Como pode ajudar as ILPIs a se capacitar e a ter um tipo de serviço que as LPIs de repente não podem fornecer porque tão voltadas paraa população de baixa renda que não tem mesmo muito eh como pagar um alto valor aí R$ 14.000, R$ 20.000, que é o que custam as LPIs chiques, né, do Taquaraal. Então, eh eh acho que muita coisa pode ser pensada em termos de políticas públicas. Como vocês sabem, os promotores de justiça trabalham para responsabilizar aqueles que praticam violências, né? violência de toda a ordem, física, patrimonial, psicológica, todo violência moral, todo tipo de violência é punível e nós existimos para isso. Mas nós nós também temos um outro papel que a Constituição Federal nos deu, que é esse papel sócio mediador, né, de fomentador de políticas públicas. Então eu vim aqui me colocar à disposição da vereadora Guida, dos demais vereadores e de vocês representantes, né, das da população idosa, de várias entidades aí da sociedade civil, da academia, servidores públicos aí das redes de assistência, aí advogados, né, que trabalham com tema. vim me colocar à disposição pra gente juntos coletivamente, né, nada sobre nós, sem nós, né, assim, pra gente pensar como que a gente pode proporar e pressionar os gestores a terem políticas públicas mais eficientes para as pessoas idosas, que evitem tanta institucionalização, que deixem de enxergar as pessoas que estão institucionalizadas, né, eh, e que, enfim, atuem aí no nos territórios de maneira transversal, né, como como vem sendo feito, mas que isso possa ser aprimorado, né, possa ser eh melhorado e que a gente possa pensar numa política pública municipal de cuidado que traga as pessoas idosas pro protagonismo e que antes de mais nada, né, antes de mais nada escute as pessoas idosas, né, eh, entenda que essas pessoas idosas têm voz. e tem subjetividades, são sujeitos desejantes. Ai um parêntese que eu ia falar quando a Mariana falou e eu lembrei e da sexualidade, né, da pessoa idosa. Isso também eu tenho observado bastante nas LPIs. Às vezes eu chego nas LPIs, tem casais separados. O o idoso tá num num quarto, a idosa tá no outro, porque a mulher de um lado, homem do outro. Eles foram casados 60 anos. Eu falei assim, só se eles não quiserem, né? Porque às vezes tão tão dando graças a Deus, tão meu mas se não, pelo amor de Deus, né? Porque que eles não tão dormindo ali no mesmo quarto ou às vezes situações de privacidade mesmo, né? As pessoas idosas podem viver a sua sexualidade, né? Podem se masturbar. Onde se masturba uma pessoa idosa numa casa que tem um quarto com 10 pessoas e ela nunca tá sozinha para absolutamente nada, né? Tudo isso tem que ser pensado, mas isso até é um nível bem bem alto assim, porque eu tô tô mais embaixo, eu tô ainda na sopa, gente. Eles gostam de sopa, eu tô nesse nível, mas como a plateia aqui tá muito aberta, então esse é o é onde a gente quer chegar, né? A gente quer que todos os desejos eh das pessoas idosas sejam ouvidos e sejam valorizados. Então, contem comigo. Muito obrigada, viu? [aplausos] Obrigada, promotora. Muito obrigada. Jarez agora, né? Aí depois do Jarez a gente, ó, eu eu isso que eu ia falar para ele. Você tirou da minha, [risadas] ó, agora você tem um, ó, o sarrafo tá lá em cima. Eu quero ver agora. Olha, o meu desafio, colocar pimenta na sopa. [risadas] Primeiro eu quero agradecer, tá? Agora tá primeiro agradecer a nossa companheira Guida e a importância de ter o Júnior Violeta. Eu tenho acompanhado esse debate há mais de 20 anos, que fui presidente do conselho. Ajudei a elaborar e aprovar o estatuto do idoso. O estatuto do idoso tem apenas o artigo 3, que é o sonho nosso de consumo. Que é que diz o artigo 3 do estatuto? É a obrigação da família. Falamos muito da família aqui. Quem tem que cuidar dos nossos idosos, primeiro lugar é a nossa família. da comunidade, também a comunidade tem a sua responsabilidade da sociedade, do poder público, assegurar a pessoa idosa com absoluta prioridade a efetivação dos direitos à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, a dignidade, o respeito e a convivência familiar comunitária. Foi tudo isso que nós que nós ouvimos aqui agora, como viabilizar a implantação desse processo. E por isso que vocês foram convidada e cumpriram rigorosamente o nosso sonho, porque nós tivemos as conferência municipal, muitos daqui participaram, Paulinho, várias pessoas participaram, aprovamos uma bela resolução, entregamos a pessoa que a representa a maioria da população, que é o prefeito municipal. Então, o prefeito recebeu esses documentos, tá aqui a nossa presidenta, nós tem tentado, eu sou do cons além da do do coletivo, eu sou também da comissão de política pública. Eu tenho tentado dialogar com todas as secretarias para dizer secretaria de transporte, isso foi aprovado na conferência. Por que vocês não estão implementando? Porque o que acontece no transporte é uma violência aos idosos. O que acontece nos ônibus, quando você entra no ônibus e aquelas aqueles assentos estão ocupados, nós estamos violando um direito que é o direito do idoso. Quando eu chego nesse espaço aqui, tá até conversando com meu amigo, essas vagas dos idosos estão ocupad e muitas vezes tá sem o cartão. Uhum. Estamos violentando os idosos no dia a dia. Quando eu tenho a gratuidade que tá estabelecida aqui nesse estatuto, que faz 22 anos, que eu posso pegar um ônibus aqui, ir para São Paulo, andar toda grande São Paulo, ir até paraa minha terra, Sergipe, sem pagar a passagem. Eu para ir para mim meu bairro que eu moro aqui a 5 km, eu tenho que pagar a passagem, eu tô violentando a pessoa idosa. Então eu acho que essa é o grande debate e a gente entende o seguinte, nós não diagnóstico, nós temos [roncando] lei, nós temos que que falta para nós é exatamente o que essa mesa nos apresentou. É exatamente que foi aprovado ontem uma resolução nacional do presidente Lula. a rede do cuidado, porque talvez se há 22 anos, quando nós elaboramos estatuto, se nós criass também uma rede do cuidado onde a responsabilidade do do município, do estado e da união, porque nós determinamos diretrizes, mas quem vai fazer isso? E muitas vezes quem vai fazer isso tem que ser um coletivo. Eu não posso pensar na na minha na minha mesa ou no meu território. A gente tem que pensar de uma forma coletiva, porque a ação ou omissão eu trago uma consequência. Então, a política do cuidado no país que tá envelhecendo não pode pensar a saúde. A saúde e assistência tem que ter ligado conjunto, a ciência, a saúde, a assistência, a questão do esporte, da cultura, todas essa, todas as políticas tem que ser integrada. Então nós tem que pensar n espaço que porque não adianta, porque quando eu não faço uma, quando eu deixo de fazer algo, a outra é afetada. Então, a gente tem que pensar numa política que faça a integração. E aqui a Câmara tem um papel importante, porque nós não vamos implementar a política do idoso se o idoso não estiver no orçamento. Pergunta-se 12 milhões do orçamento, o que que tem para o idosos naquela na na secretaria? Nós estamos aqui um ano também muito importante que a o governo foi aprovado nacionalmente que paraa assistência social, olha 1% dos orçamentos vincular paraa assistência. Você acredita que a maioria das cidades brasileiras não cumpre isso? A maioria dos estados não cumpre 1%. Aí nós estamos vivendo, nós queremos falar de cuidado e aí cuidar do servidor público. Como é que eu vou cuidar do servidor público? Caió apresenta uma pauta e ontem foi debatido nessa casa de 4%. Mas por c comissionado é 30, 40 60. Como é que eu vou querer que aquele cidadão que tá lá no território preste um serviço adequado? Então eu acho que esse é o grande debate e o que nós queremos fazer aqui, o coletivo, associações estão pensando, porque inclusive nós estamos fazendo algo diferente na nossa cidade, porque muitas vezes cada associação cuidava de si. Nós temos aqui oito entidades junto com a CUT, entidades que não são da CUT, porque nós entendemos o seguinte, pensar, pensar de uma forma coletiva. E é esse espírito e essa ação que nós queremos fazer com a gestão pública, pensar que a gestão pública tem que sentar e pensar estratégica como eu vou viabilizar o direito dos idosos. E aí eu acho que esse esse é é o grande desafio. Essa questão de termos centro de convivência é um absurdo. Nós criamos o primeiro centro de convivência na cidade, foi uma primeira do estado de São Paulo a ter um centro de convivência em Campinas. 30 anos em 92 98 na na época do Jacó. 30 anos depois, ô Cristiane, nós tivemos o segundo. Parece que vamos esperar mais 30 anos para ter o terceiro. Qual foi o que nós aprovamos na conferência? Cada cada região nós tem que ter pelo menos ou dois centros de convivência, porque o centro de convivência é um espaço importante onde eu posso pegar meu avô, minha mãe, levar naquele espaço, sei que ele vai ser cuidado e à tarde eu vou lá e pego. Mas não é uma creche, é um espaço que tem aquela convivência, que tem aquele espaço de de da qualidade de vida. A questão habitacional, acabei de conversar hoje com a Coab, é um absurdo o que acontece. Nós temos aqui a cidade de Jund deatuba. Idatuba. Eles criaram um espaço com apenas 4 milhões ou R 5 milhões deais, 40 casas, um espaço onde você tem o coletivo e tem o individual, uma casa com quarto, sala, cozinha e banheiro. Então o cidadão ele tá p da vida, ele vai pro quartinho dele, fica lá sossegado. Ele quer ter convivência, ele tem ali um espaço para uma cultura. Vai a Secretaria de Cultura, vai esporte de lazer, vai todas as secretarias pública vão fazer esse estado de convivência. Esse é o mundo e o sonho que nós gostaríamos de ter e precisa ampliar isso, precisa ter política com esse caráter. é muito mais barato. Tá aqui, ó, a sonha tá aqui a nossa, eu a questão do fundo municipal do idoso, o fundo. E aí eu quero a promotora, o fundo municipal do idoso é um complemento. Nós não podemos pegar o dinheiro do fundo municipal do idoso e fazer a lambança que muitas vezes fazemos. É importante pegar esse dinheiro que nós estamos fazendo. 40 vagas. Para vocês terem uma ideia, essas 40 vagas, quem tá bancando o primeiro ano é o Fundo Municipal do Idoso, senão não tem. Por quê? Porque não tá no orçamento. Então ele primeiro ano o fundo paga, depois no outro orçamento é que vai entrar. Então, o fundo municipal do Iduso é importante, recomendo a todos contribuírem, mas ele tem que ter uma outra finalidade e precisa tá realmente com outro olhar nesse sentido. A outra coisa é mudar também a lei do Conselho Municipal do Idoso, que também é uma uma violência porque tem essa puralidade que foi falado aqui. A pluralidade, a maioria são mulheres, a maioria da nossa população são negras e negros. A, então essas pessoas têm que estar na composição do conselho. Então, a ideia do conselho é que ele amplie para integrar o negro, a mulher, a questão LGBT, que é mais esse tema da sexualidade e a questão do povos originário. Então, nós tem que alterar isso para que esse conselho possa ter essa representatividade. A outra é também o apoio de vocês, o PL863, um PL que tá lá desde 2017, que fala a diretriz mundial, né, que é do do lado da ONU, que fala da questão dos direitos, da liberdade e a Guida que fez uma ação muito importante e tá lá tramitando, tá lá no nas na mesa para ser aprovado e não é aprovado. Então a gente precisa ter mobilização, organização. A questão da jornada 6 por1, o que que tem a ver o idoso com isso? Tem muito, é aquilo que ela falou, precisamos ter mais tempo com nossa família, principalmente com os nossos idosos. Então, a luta pro seis, por um é a luta de todos nós. Então, eu acho que é esse é o quadro e o que eu eu quero para concurrir primeiro agradecer a todos que estão aqui, as nossas palestrantes. ela fez aqui do ponto de vista dos direitos e é muito boa a tua fala, porque tua fala é isso precisa, uma fala, uma dinâmica fácil de entender e como nós somos idosos, você nos ajudou muito, porque você tem uma forma de se de expressar que você entende, porque muitas vezes você fica no teórico viajando e você não entra no no naquilo que é essencial, assim como a nossa promotora parabéns e também a nossa companheira da saúde, porque elas foram fácil E para o grupo idoso, a gente tem pessoas que t essa facilidade para ajudar a gente junto, construir e lutar por uma sociedade mais justa e igualitária. Obrigada, Joarez. Bom, eu vou abrir, mas antes eu só queria também contribuir um pouco, falar de algumas dificuldades, algumas questões que a gente tem enfrentado aqui nessa casa. Ontem nós começamos a discutir, foi a primeira votação da LDO. A LDO é a lei de diretrizes orçamentárias, né? É a lei que vai eh nortear para onde o orçamento eh do município vai ter que ser destinado. A lei do orçamento ela vota no final do ano, mas antes e nós temos que votar as diretrizes dela para onde que vai. E aí, eh, nós estávamos debatendo, por exemplo, das oito áreas que mais vão receber recursos, nenhuma delas é assistência social. Então, tá lá. Não, a assistência não entra, não entra entre as oito áreas. Eu, a gente tem isso organizado, depois eu mando pro Joarez e peço para enviar para vocês. A assistência não aparece nessas áreas, então aparece lá eh educação, obviamente que é uma das que tem um quarto, né, para enviar, não, recurso tem, mas veja, dos oitos do das oito áreas primeiras que mais vão receber recursos, a assistência não aparece. Isso é uma preocupação muito grande para nós numa cidade gigante como a nossa. com muita vulnerabilidade, com ainda com muita desigualdade, com áreas muito sensíveis, né? E, por exemplo, eh, idosa, a [limpando a garganta][risadas] área da da pessoa idosa é uma área sensível ainda, né? Então, essa é uma questão que nós colocamos, por isso que ontem a nossa bancada votou contra essa essa LDO. Nós votamos contra também porque existe uma uma necessidade gigantesca na cidade do ponto de vista do atendimento da saúde primária. Essa essa saúde primária, ela precisa ser potencializada, fortalecida, porque é ela que está nos territórios atendendo a população. Eh, é um erro as pessoas ficarem defendendo que temos que ter UPA UPA UPA para tudo. não vai ter, não tem como ter. Isso é inoperante. O que nós temos que pautar, fortalecer e brigar muito é que a gente possa ter mais centros de saúde com condições, com qualidade para atender a população. E a população que vai ser mais atendida nesse centro de saúde, obviamente com esse envelhecimento da da pessoa idosa, né, da das pessoas, vai ser o centro de saúde. Então nós queremos ter centro de saúde mais centro de saúde. Queremos que as equipes de saúde da família estejam completas, fortalecidas, que que possamos ter condições dignas de atender à população e à população idosa no CS que estão nos territórios, porque são eles que estão ali diretamente, né? são os agentes comunitários de saúde, é o médico que sabe que que aquele território, é o farmacêutico que sabe que, né, que a dona fulana precisa tomar todo mês e tal medicação e qual que é, enfim. Então, a nossa preocupação é essa. O que que acontece aqui em Campinas, Isalene? Existe uma um projeto pensado de desmontar a saúde primária, porque a saúde primária está sendo desmontada sempre, né? Obviamente que a gente conta com muitos profissionais, profissionais com muito compromisso e que batalham, que brigam muito. Essa coisa que a Ana Cláudia falou que você vê, ela fala de pessoas, ela sabe o nome. Ah, fulano tem tinha 105 anos, ciclano, alguém liga e pede pro Sad ir, porque é o é a forma como esses profissionais têm batalhado para poder o atendimento chegar a essas pessoas. Mas existe algo pensado, porque a falta de, principalmente, de completar as equipes nos territórios e Campinas ainda tem eh 69 centros de saúde. A gente precisa ampliar isso. E na LDO não apareceu nada que possa justificar que vai acontecer essa ampliação. Não tem nenhum projeto de ampliação de centro de saúde. Os centros de saúde agora que estão em vias de construção, é, foram aqueles que a gente brigou tanto para sair. Não sei se vocês vocês acompanharam, mas o vilage foi uma briga aqui, foi um parto aqui, sair centro de saúde, né? E a gente entrando em contato direto com o ministério, porque o ministério falava: "Olha, não entrou o projeto, não chegou, não, não sei o quê". Era assim que a gente tinha a forma de pressionar acontecer aqui. Todos nós fomos surpreendidos, inclusive que a gente tava no prazo final. O secretário aqui de infraestrutura resolveu cancelar a licitação e a gente falava: "Não vai dar tempo, não vai dar tempo". Foi aquela correria danada que a gente fez pressão junto à secretaria e muitos profissionais da secretaria nos apoiaram, nos ajudaram, mas enfim, não existe esse planejamento de potencializar, de fortalecer a saúde primária. E a gente sabe que a saúde primária ela cumpre um papel fundamental no na assistência aos idosos, né, nesse cumprimento de direito aos idosos. orçamento participativo, né, quando tinha o orçamento participativo, tinha essa discussão, né? Você tinha essa discussão com a população. Com a população. Pois é, acabou, né? Eh, nós tivemos aqui a prestação de contas da secretaria. Eu fiz essa questão pro secretário, ele não responde, né? É, ele é um bagro ensaboado. Aí ensaboado ainda por cima. É que fica mais escorregadinho. [risadas] Nós temos o projeto de lei aqui que é que nós apresentamos que é o projeto para que tenhamos nas equipes multi gerontólogos e geriatras, né? As meninas estão aqui, depois queria que elas falassem também um pouquinho. A gente tem esse projeto aqui. Eh, nós apresentamos esse projeto, obviamente que vai chegar a discussão que isso é vício de iniciativa, né? Porque é uma, gente, quando você vira vereador, você descobre que você não legisla nada, né? A única coisa que a gente tem que fazer aqui é ficar brigando, berrando, porque nada você pode porque é visto de iniciativa, porque o direito assim determina. Mas não tem, não tem problema. Eu não tenho problema nenhum, eu passo a autoria do nosso projeto inteirinho para pra administração, quem quer que seja, mas que então implemente então, né? simplesmente execute, porque a população tá sofrendo. A gente tem aqui o boletim eh do CIS9, que eu sempre uso esse esse boletim como uma referência para avaliar, gente. É absurdo aqui. É absurdo. E fala, né, de todas as as violências que a Mariana falou, a violência patrimonial, enfim. E e o dado do SIS9 aqui, ela quem tá quem tá computando esses dados, esses dados, como teve um período da pandemia que ficou, né, sem poder coletar esses dados, assim, é absurdo. E só e só tá aumentando. Quando ele volta, ele voltou, acho que em 2024, 2023, 24, que ele voltou eh a fazer a computação desses dados, só tá aumentando assim, é 72% o número de mulheres idosos que sofrem violência. E isso que a Mariana falou, o local que ela mais sofre violência é dentro de casa. E quem mais bate e a violência física é a violência maior e de todas, né, que temos várias outras aqui, mas a violência física e e também a a o abandono, a violência eh psicológica, gente, essa também vai pode também até ser pior, porque ela vai te minando todo dia, entendeu? Ela vai te minando todo dia e a saúde mental da gente acabou, né? é como se fosse um corpo que existe ali sem ter vida. E então, enfim, e a gente, nós estamos acompanhando isso. Então, nós estamos nessa, nessa preocupação que esse profissional, gerontólogos, os geriatas, eles podem cumprir um papel importantíssimo de acompanhamento dessa população, porque se a gente consegue colocar esses profissionais dentro do centro de saúde, eles vão estar ali todo dia acompanhando a evolução do quadro de cada pessoa, né, e das suas necessidades. Mas enfim, e nós também apresentamos um outro projeto que é a transparência das filas do SUS. Esse projeto, obviamente que não é um projeto focado apenas com a população idosa, mas é com toda a população da cidade de Campinas. Mas nós sabemos que a população idosa é uma população que muito demanda da saúde, né, do serviço de saúde e muita gente dela tá ali parado. Por exemplo, um um dos problemas nosso de cirurgias que não andam, esse aqui é a transparência das filas, de tudo, tá? é exame, consulta, cirurgia, é de tudo. Mas o pegando o dado das cirurgias, a população que tá necessitando de uma cirurgia ortopédica ou cirurgia, né, de quadril, por exemplo, população idosa, muitas pessoas, o o presidente falou para mim que eh ah, eu fui fazer a consulta se a pessoa ainda precisava da cirurgia, se ela já não tinha feito a cirurgia, muitos morreram, né? É isso aí. Eles falam com uma naturalidade assim para mim que eu fico olhando. Pois é, passou ali s 7 anos, 8 anos, 10 anos com dor, com dor no quadril. É, aí morre porque, enfim, e nós estamos numa numa possibilidade aí de tentar abrir mais 20 vagas no no Ouro Verde. Ele disse que tem todos os equipamentos, tem tudo, tem toda a estrutura, mas não tem a certificação de média comp média não, alta. Ah, não sei, vocês que sabem. Alta é, não tem essa essa habilitação, né? não tem essa habilitação do ministério e e a gente tá na batalha aí para trazer alguém do ministério. A gente tá vendo um desses dias para trazer alguém do ministério para fazer a visita lá para poder habilitar para ver se a gente consegue desafogar um pouco, né? Essa é uma briga também. Eh, e aí falar dessa política nacional de cuidados que a a doutora falou aqui, a Cristiane junto com o Joarez, eh, eu a eu penso, Joarez, que a gente nós precisamos montar um coletivo para pautar que isso seja regulamentado no município. Uhum. no município, porque o que a Ana Paula falou esse já chegou para mim vários casos de mulheres que cuidavam de pessoal as de pessoas adoecidas acamadas. Essa pessoa doccia da camada recebia o LOAS, recebi o BPC, essa pessoa faleceu. Essa mulher não tinha no mês seguinte nem o dinheiro para pagar o aluguel, nem para comer, porque ela ela não tinha como ela trabalhar fora ou trabalhar num outro lugar, porque ela tinha que cuidar, né, daquela pessoa acamada. Só que quem recebia era os recursos, era era o benefício que essa pessoa recebia, que garantia o sustento mínimo ali daquele núcleo familiar. Então assim, isso, gente, é, se isso não for violência, eu não sei mais o que é, né? E e essa questão também do dos dados da violência. Então eu penso, voltando, eu só para para amarrar, eu acho Juarez, o pessoal do conselho da da pessoa idosa, eh a nós precisamos montar um coletivo para brigar muito, para que essa política nacional de cuidado seja regulamentada aqui na cidade de Campinas também, né? se precisar apresentar outros dispositivos de lei, a gente apresenta outros projetos, enfim, ou a gente vai ter que brigar para que o governo apresente, enfim. Mas nós precisamos pautar isso porque a situação é grave. Eh, nós sabemos de alguns países que pagam benefício para pessoas que estão numa situação, né, de de adoecimento, acamada. O Brasil ainda não tem tem low aos BPC em alguma medida, mas o marcador dele não é uma uma pessoa idosa com a doença grave, né? Então eu eu acho que esse deve ser um compromisso nosso urgente, urgente. E todas as minhas amigas, né? Porque todas, a maioria das minhas amigas são da minha idade, todas. Então, tem uma mãe que tá acamada, tem um pai que tá acamado, tem que tem que faltar muitas vezes do serviço porque tem que levar um pai, tem enfim, isso o estado tem que olhar. E por último, por último mesmo, eh queria falar um pouco sobre essa questão dos dados da violência. Eu não consegui falar com ninguém da vigilância ainda. Eu falei na na última vez com a Juliana, Juliana que veio aqui e ela fez uma fala, ela ela disse para nós que o boletim do CIS9, que é um, né, a a Naoco trabalhou muito, né, nesse nesse projeto que para nós é maravilhoso, é importante esse recurso que a gente tem, mas que nós tínhamos vários espaços no município que não notificam. Então, quer dizer, isso daqui é uma subnotificação. Se hoje a gente tem, isso que esses dados estão mais mais atualizados e mais do que os meus. É muito bom. Não, são muito bom. Resent fez sentido. Então, porque veja aqui é e aí tá sobre notificado porque aqui, ó, só chegou aqui e quem notifica muito é a saúde, quem notifica, né? E quem notifica mais é saúde e é a urgência e emergência que notifica. Muitos centros de saúde não notificam. Conselho Tutelar não notificava no CIS9. talvez notif, obviamente que eles notificavam, acredito eu, em outro dado, né, em outra plataforma, mas eh e muitas vezes não aparecia para nós. E aí inclusive foi feito aqui um projeto de lei, foi aprovado falando que o o Conselho Tutelar deveria notificar aqui no CIS9 também, mas eu sei porque eu conheço profissionais da saúde que não notificam aqui. Então, se hoje a gente tem um dado que de 19 a 24, 72% das mulheres idosas são as que mais sofrem violência, isso pode est subnotificado, né? Então, eh, é algo também que eu acho que a gente que nós deveríamos olhar e ampliar essa obrigatoriedade desses dados, porque se não tem dado, minha gente, não tem nem como a gente cobrar política pública, né? E aí eu ficou na hora que eu sentar, na hora que nós sentarmos na mesa, né, quem pode dar caneta e fazer falar, mas o que justifica, né? Então por isso também que eu acho que é uma pauta importante pra gente cobrar, acompanhar e a gente conta com a ajuda de todo mundo aí. Então eu quero agradecer mais uma vez a presença do pessoal aqui da mesa e vou abrir rapidão para o pessoal falar, tá bom? Tem mão, esqueci seu nome. A Thaí A Thís vai. Thaío Isale. Quem que levantou a mão lá? Na Naoko e Isalene, como é que é seu nome de de laranja? Dina. Dina. Ah, você é Dina. Roberta e Roberto. Tá bom. Exatamente. Naoco. Naco. Aí, ó. Naco. Aí primeiro. Isso. Eh, então, só em relação aos eh serviços notificadores, e é um sintoma. Por que que aparece eh violência física em primeiro lugar, né? Aham. Então assim, é onde já não tem mais assim, a pessoa chega arrebentada e precisa ir paraas unidades de emergência, né? Então, para mim é óbvio isso, assim, que aparece isso em primeiro lugar porque a a violência mais escrachada assim, né, que existe. Então, todas as outras, sem dúvida, tão subnotificadas, né? E aí assim, você vê, já faz 5 anos que eu tô aposentada, tudo continua não notificando, né? A dificuldade que a gente tem de realmente chamar os serviços a notificarem. E assim, só queria fazer uma pergunta paraa Mariana, né, quando fala [limpando a garganta] assim que a idosa, aquela idosa que você cuidou, que o filho era, né, eh, dependente químico, etc., assim que também é necessário olhar para esse lado, né, do cuidado, né, dos cuidadores ou não, né, ou dos agressores que precisam também igualmente de tratamento, né, que aí tem a criminalização lógica, tem a questão jurídica, mas também precisa ter todo um cuidado de tratamento dessa sociedade. Enfim, eh, só essa observação. Com certeza. Obrigada. A Isalene agora por favor. Então eu eu queria falar a partir desse abaixo assinado de de ter o especialista no centro de saúde. Acho que é importante que tenha esse especialista, mas nós precisamos defender a equipe, as equipes que visitam as famílias, porque é é um trabalho do SUS que é muito importante, que nós precisamos defender isso, que tem especialista é importante, mas eles colocam um especialista na rede, não vai fazer muita fer acabou. Ah, outra coisa que eu queria colocar para pra promotora e eu faço, eu tenho feito visita no presídio das mulheres e tem várias idosas, tem mulheres com andador. E eu queria saber se há uma possibilidade dessas senhoras idosas não cumprir pena assim no presídio. Agora a a Dina, né? Depois a Roberta e depois a Ana foi quem se inscreveu. Você também como é que é seu nome? Paulinho, Paulinho. Paulinho, obrigada. Paulinho. Primeiro agradecer a todas vocês e ao Juarez, porque vocês estão dando vocês deram voz ao que a gente sente aqui, a gente vibrando o que alguém tá falando, eh, a nossa língua, né? Fala de onde você trabalha. Eu sou assistente social, trabalho no SUS há 22 anos. Eu amo trabalhar no SUS. Eu e a Cris trabalhamos no CRI e a gente tá presente Centro de Referência Saúde do Idoso. E o Centro de Referência Saúde do Idoso eh existe desde 2008 aqui na prefeitura e nós estamos vivenciando a triste experiência de o vê-lo desmanchar. Oh meu Deus. Eh, então, enquanto o envelhecimento, né, da nossa cidade tá indo aqui, a gente vê as políticas aqui municipais irem no sentido contrário. Eh, nós vemos violências constantemente eh governamentais, institucionais, né? Somos nós que vamos, fazemos também visitas nas casas juntos com centro de saúde, junto com o SAD, mas atendemos pacientes idosos e idosas da cidade inteira, né? Muitas vezes o cuidador principal é esposa idosa, é esposa fragilizada, tem um filho com uma deficiência intelectual, um filho usuário de substâncias dentro da casa. são n vulnerabilidades e a gente muitas vezes tem que tirar dinheiro do bolso e a gente tira porque não tem uma política para fornecer suplemento alimentar para os idosos desnutridos. Isso é Campinas. Aqui Hortolândia fornece, não fornece. a pessoa não tem como comprar. A gente faz vaquinha, a gente faz rifa entre os trabalhadores, muitas vezes para comprar alimento, para comprar o suplemento. Então assim, quando agora saiu eh a fralda, geriátrica através do governo federal, nossa, eu saí pulando porque assim a gente também tinha que comprar fralda para os pacientes que não são atendidos pelo SAD. O nosso usuário não dá conta de subir no ônibus. São pessoas com parkson, com sequelas de AVC, com limitação de funcionalidade importante. Então, o idoso que não consegue erguer a perna para subir no ônibus é um idoso que assim não consegue segurar no ônibus. E também muitos deles não usam andador e não usam cadeira de roda. Então eles não têm direito ao transporte adaptado que é da INDEC. Como é o pai serviço? Como que esse idoso tem acesso ao tratamento? Como que ele chega ao tratamento? Não tem. Então foi uma luta de anos. Nos vemos na Câmara, a gente fez reuniões, a gente foi em tudo quanto é canto. Foi uma luta de anos pra gente hoje conseguir quatro atendimentos por dia no SAEC. Com isso, a gente consegue mudar a vida de muita gente com esses quatro atendimentos por dia no SAEC. as pessoas conseguem chegar na consulta, as pessoas conseguem chegar num grupo terapêutico. E muitas vezes para uma idosa que tá em isolamento social, que não tem como ir num grupo terapêutico com a profissional, fazer um MVE, fazer um um atelier, fazer um grupo de que seja, eh para ela é salvar a vida dela, é tirar ela de uma depressão, é tirar ela do do sofrimento, é tirar ela do ambiente de violência muitas vezes. Uhum. Ah, então, enquanto profissional que assim que eu trabalho no SUS por amor mesmo, que era o meu sonho de vida, eu assim, a gente precisa fazer alguma coisa, a gente tá cansada, a gente tá cansada de ver as pessoas sendo violentadas pelo governo. Então assim, eh, a gente quer compor, a gente quer falar o que acontece, a gente quer dar da dar e que a nossa voz seja ouvida também, porque assim, a gente sabe a realidade, né, Ana? A gente entra nas casas, a gente vê a fotinha do cachorro, da pessoa, ela mostra pra gente, olha aqui é o meu cachorro, entendeu? A gente sabe da vida, os detalhes, a gente cria vínculos, né? A gente sabe das histórias do, né? Então a gente cria esses vínculos e a gente sabe o quanto que essas pessoas têm sofrido e para nós trabalhadores tá puxado. Era isso, é um desabafo. As eleições. dizer que a gente, só antes da Roberta falar, queria dizer o seguinte, a gente teve um cuidado a partir do da sugestão da Ana, né, de fazer esse convite para vocês, porque a gente sabe da importância do trabalho que vocês fazem. Obrigada. Obrigada. Que que relato incrível, não é? E é isso que a gente também vivencia em vários vários aspectos de atendimento. Eu sou Roberta Taralo, eu sou gerontóloga e essa pele, né, que a Guida nos trouxe e também está nesse engajamento para atuação do gerontólogo na atenção primária, não é para excluir nenhum profissional, e sim para agregar a equipe, né, de da da saúde da família. Eh, porque a equipe da saúde da família, ela vê hã a pessoa como um todo e todas as suas fases. E o gerontólogo vai ver exclusivamente a pessoa idosa e o ambiente que ela está, o que essa pessoa idosa vai até, né? Quais são os motivos factíveis e os invisíveis também? Porque quando a gente quando a Mariana traz, né, da eh quando a gente naturaliza algo, alguma violência que não é para ser naturalizada, muitas vezes a gente naturaliza a dor do idoso, a dor da pessoa idosa. Uhum. Ah, você tá com dor porque você é uma pessoa idosa. Então, coloca a idade, aquela dor, como se fosse da idade. E isso também é uma violência, você naturalizar uma dor, porque a pessoa formou mais de 60 anos. Só que isso tem todo um contexto e o gerontólogo lá na UBS, lá na atenção primária também vai ver essa causa da dor, que muitas vezes essa pessoa idosa, ela é medicalizada, ela é acompanhada pela S, né, pela SF, equipe de saúde da família, ela está ali mais tanto tempo e essa dor nunca passa. Eu não tô falando só da dor física, às vezes ela vai ali, é atendida ali 15, 20 minutos, né, quando a equipe é muito boa ou a equipe vai até a casa, só que aquela dor permanece. E às vezes o profissional gerontólogo, ele tem esse olhar para entender que às vezes essa dor física ou emocional vai para além. É um às vezes um reflexo de uma violência ou uma violência institucional ou uma violência, né, governamental. E às vezes é uma violência que tá dentro de casa. governamental. Por quê? Essa pessoa que é cuidada, essa pessoa idosa, que é cuidada por outro familiar, que não tem recurso, também tá sofrendo violência, mesmo não sendo uma pessoa idosa, mas às vezes ela vê o reflexo daquilo que ela pode se tornar depois. Eu não tô falando só de uma pessoa adicta, eu tô tô falando também de uma pessoa que às vezes ela não tem nenhuma adesão a essas outras questões que podem ser passadas por outras vieses, outras locais que podem ser tratadas. Não, às vezes é uma pessoa que nada precisou começar a cuidar da sua mãe, do seu pai, do seu cônjuge e já não tem mais recursos e já não sabe mais da onde prover. E às vezes aquela violência é gerada sem a gente perceber, sem essa pessoa perceber. E o gerontólogo, profissional gerontólogo vai observar ali na casa, na residência ou mesmo lá na OBS e tentar entender e orientar, né? tá? Dá aquela palavra amiga no sentido profissional, tentar achar estratégias de como a pessoa dentro de casa pode tentar trazer recursos, o que que ela, quais são as habilidades que ela tem, mesmo cuidando de outro, mesmo tentando traçar uma rotina para que ela possa, além de agregar os cuidados, uma rotina que ela possa também se capacitar junto ao que a gente tem hoje em dia, muitos recursos também às vezes de internet e tudo mais. Então nós profissionais gerontólogos vimos também essa outra visão, né? E só reforçar isso que às vezes a gente esquece e naturaliza a dor. Uhum. E a nossa dor não devemos naturalizar só porque temos 60 anos. Obrigada. E assinem a PLS, por gentileza. Abaixo assinado. Mais alguém? A Ana Maria aqui depois o Gatalinho por último. Tá. Vamos lá pra gente retornar aqui paraa mesa. Bom, boa tarde a todos, todas, todes. Cumprimento a mesa. A gente sempre aprendendo e trocando, né? Eh, eu queria dizer, por exemplo, que pra gente, nós estamos num ano de eleição e a gente tem modelos, né? E eu me lembro que eu tava na prefeitura, no governo Isalene Toninho, né? E e a gente na assistência, na assistência numa diretoria difícil e que a gente colocou pela primeira vez porque não tinha no orçamento participativo, né, Isaline, a plenária da assistência e a gente colocou e foi onde a gente conseguiu ampliar o orçamento eh da assistência social, né? Eu sou Ana, trabalho no HC da Unicamp. Queria até colocar aqui, quando você diz a questão eh dessa precarização do serviço de saúde, nós estamos com uma impasse muito grande lá da autarquização do hospital, que é outro impacto pro município de Campinas, embora não só pro município de Campinas, porque é um hospital que atende até eh outros estados também. Mas então é outra é outra outro desafio e a gente vê que isso eh vai acontecer. Infelizmente, a toda nós tivemos uma eleição agora para superintendente e toda toda a fala, toda a direção vem nesse sentido, embora há muitos movimentos e ainda tem que passar por diversas instâncias para ver isso. E a gente sabe que isso é uma porta para abrir para muitas privatizações, né, para outros, não só apenas do SUS, embora os gestores falam que não. Eu queria dizer também, Guida, que essa esse esse comitê, comissão, como queira chamar, da do cuidado, ele é muito importante também eh discutir a questão da notificação, porque eu trabalho no ambulatório de geriatria e você faz a notificação muito eh mais fácil no sistema da saúde, mas no sistema da assistência ficou bastante complicado. dos CRAS. Outro dia até num centro de saúde, numa discussão, ela falou que quando ela chegou no final de tudo ainda precisava mais. Então eu acho que a burocratização também, né, o da saúde não, mas a burocratização impede as notificações ou prejudicam, vamos dizer, você ter uma ampliação dessas notificações. Então eu acho que isso é uma coisa que a comissão pode trabalhar também, né? Eh, eu acho que a Dra. Ila, a gente tem conversado um pouco e também eh a a necessidade da mudança da revisão da lei eh municipal das ILPIs. Então eu acho que isso é uma questão que o conselho tá vendo, a prefeitura tá vendo e que é muito importante, porque inclusive você não tem uma inclusão ou casas com um cuidado eh mais atencioso ou mais especial da população LGBT 60+. Eu tô no ambulatório, que é um ambulatório um dos poucos no Brasil, né? A USP tem, mas é o LGBT 40+. E eu tô também no ambulatório lá com a Dra. André, que é o docente responsável e que é um desafio grande, né? Porque é um segmento da diversidade, como você não tem eh esse olhar da diversidade dentro de uma ILPI, infelizmente ainda acho que foi muito bem colocado, né? Então, eh, era isso que eu queria colocar e, e acho que são muitos desafios, mas a gente tá na luta junto, a gente a gente sempre consegue avançar. É isso. Boa tarde a todos e todas. Eh, sou o Paulinho, Departamento de Aposentados sindicato metalúrgico. Eh, nós estamos falando em junho violento, né, com os idosos, mas eu acho que nós temos que se lembrar aqui, janeiro a dezembro é violento quanto com os idosos. Uhum. Né? Nós temos uma questão aqui, inclusive em Campinas que nós estamos falando isso há anos. Cadê a gratuidade do do do transporte público para aposentado acima de 60? Nós estamos passando por uma licitação que está uma vergonha na cidade. Todos nós estamos sabendo o que tá acontecendo. Essa casa é omissa a tudo que tá acontecendo e nós só queremos saber, cadê a gratuidade do ônibus para as pessoas idosas acima dos 60? Campinas, uma das cidades mais importantes do país, não tem gratuidade do ônibus acima de 60 anos. Só para lembrar, outra questão, o que dói na alma, na alma mesmo de verdade aos companheiros e as companheiras, é saber que de tudo isso que a gente falou que o idoso sofre com todos esses tipos de violência, mas tem duas questões que é violento demais. é a questão que a companheira colocou ali em cima, que é a questão da fome com o idoso e a questão da saúde com o idoso. Como que pode o idoso ir no postúde buscar o seu remédio de pressão alta, né, diabético, ou seja, qualquer tipo de remédio que seja e chega lá, bate com a cara na farmácia e não tem o medicamento? Então isso é a maior violência que tem contra o idoso e que nós passamos de janeiro a dezembro. Outra questão, quero aqui rapidamente parabenizar a vereadora Guida, tem levantado esse debate dos idosos na casa com perfeição. Todas as mesas nossas são de qualidades e hoje mais uma vez está de parabéns e que nós temos que estar junto unido, porque se a gente não se unir eh esses que estão aqui e que estão no poder não querem saber de política pública. política pública, companheira e prefeita Isalene, não dá voto. Nós a partir de 2000 a 2004, foi um dos melhores governos que a cidade teve, sabe? Na onde? Na saúde e na educação. Me provem ao contrário, se não foi, nós não fazíamos obras espetaculares, né? O dinheiro do do servidor público, o dinheiro do munícipe era investido em saúde e educação. É isso que eu tenho que falar. Parabéns a todos. Eu acho que a gente tem que continuar firme nessa luta, porque essa luta é de todos, não só dos aposentados, também aqueles que estão nos vendo nesse momento, né? Provavelmente tem o seu vô, tem sua avó, tem seu pai e tem sua mãe e vai ficar idos. E vai ser você e vai ficar idoso e vai ser eu também. Aqui achou que eu sou novinho, mas eu não tô não. Obrigado a todos. Eu já tô advogando em causa próa. [aplausos] A a última é a Régis, porque a gente precisa passar pro pessoal aqui. Ela pediu agora pro último. Oi, turma. Boa tarde, eu sou o Francisco, usuário ali do centro de saúde Eurosimbo Maia e eu fazer um comentário aqui que eu sempre faço, ninguém começa a casa do telhado, começa da base. Então hoje a gente tem um problema que não começou hoje, começou há muito tempo. Então eu acho, vou colocar uma poção minha queria por exemplo, se você assiste um filme do Japão, assim, a história deles, a criança inicialmente não vai na escola para estudar, ela vai para aprender cidadania, respeito, honrar o idoso. Então você vê que o Brasil tá muito abaixo, muito longe disso. E por que que eu falo isso? Eu, minha esposa trabalha escola e todo dia eu vou lá, eu sou voluntário. Se precisa consertar uma torneira, concerto. Se precisa botar um espelho, eu conserto. Precisa fazer manutenção, eu faço. E eu convivo com as crianças diariamente. Então você veja bem, vai lá a criança, ai coitadinha, tem laudo, ai tem dó dela. Gente, ter laudo não é deficiência. A pessoa pode estudar, pode se desenvolver. Aí chega na casa, ai tem laudo, a mãe, o pai não cobra, não educa, não orienta. Aí lá na escola a gente fica louco que a criança corre igual não sei o quê. Aí vai esperar o transporte escolar, nós tem que ficar correndo até de criança mal educada. Aí você chama o pai e a mãe que já aconteceu. Ai meu filho é criado na igreja, ele é um santinho, não faz nada de errado, entendeu? Então você vê que a população incentiva essas agressões, porque quando a mãe, o pai não puxa a orelha da criança, não educa, vai crescer esse adulto violento agressivo. [roncando] Então a gente tem que prestar atenção que se não mudar a base nunca que o telhado vai ser bom. Então eu quero colocar dessa forma, porque o idoso ele sofre muito, porque hoje nós temos esse essa educação péssima. A escola é progressão automática. O que que a criança aproveita na escola? Não precisa aproveitar nada. Você entrou na carteira, presente, passou, vai pro próximo ano. O que que ela tá incorporando na formação da pessoa, educação, cidadão? Nada. Então eu acredito que se a gente não mudar a educação hoje, esse problema vai se agravar cada ano, porque essa geração que tá chegando agora vai ser disso para pior. Então se não começarmos mudar educação, exigir da criança conhecimento, responsabilidade, a gente vai ter esse problema gravado cada ano que passa, entendeu? Então o idoso, né, quando a pessoa se torna idoso, porque hoje a criança tá na escópia, pessoa tem 30, 40 anos, quando ele se tornar adulto, aquela criança que foi criada dessa forma vai ser agressiva, não vai respeitar pai e mãe. Se a gente tá na escola passa isso, você imagina em casa, entendeu? Então vai ser um futuro adulto com essa deformidade eh social, vamos dizer assim. Então eu acho que se não começar a mudar, no caso a questão de educação a partir de 10 anos atrás, porque tá muito atrasado, eu acredito que esse problema não vai deixar de existir, porque eu acho que o básico não tá sendo feito para mudar, no caso, eh, esse tipo de atitude na nossa atual sociedade. Obrigada, Francisco. Ó, só a R porque a Cristiane precisa ir embora rapidão, tá? Então, o Régis, rápido, porque ela precisa ir. Eu sou a Régis, acho que maioria daqui já me conhece, né? Eh, eu fui da saúde 18, não, pera aí. Da saúde eu fui 16 anos [risadas] da saúde fui da educação 8 anos, né? E da cultura mais 18, bastante tempo. Eh, hoje eu sou auto aposentada, sou do grupo do do dos aposentados da CUT. A gente que eu vim aqui é um desenvolvimento de de tudo isso que a gente fez durante esses anos todos, né? E antes da Isalene a gente não a a assistência não era considerado nem nível universitário, não tava na no plano de carreira, né? Ah, e hoje, por exemplo, eh, as pessoas aposentaram, a gente não tem assistência na rede, né? No Cras, tudo vazio, gente. Duas, três, duas pessoas para uma região inteira para cuidar. É, né? A a educação, a mesma coisa, né? Quando você fala da educação, a educação acho que vem de casa, né? E a gente tem que socializar, né? eh a uma parte de socialização que hoje tá modificando. A gente teve essa discussão agora semana passada, inclusive com os coordenadores e e a educação tá lé, né? E a gente precisa, né, na saúde, né, o o SIS9 que veio em 2008, né, ele é exemplo, ele foi copiado a nível nacional nessa época, né, que a gente veio para cá e o CIS9 é atrasado, tá atrasado, tá, mas não tem funcionário. Quem tá lá, né, o ele tá sozinho, né? Então a gente precisa de de concurso público, né? a gente precisa ter esses profissionais na rede, né? E e quando a gente não tem, né, deixa de ter esses profissionais, né, também deixa de atender as crianças, até de atender eh a população em si, né? a valorização do serviço público e eh você vê no posto no centro de saúde foi todo terceirizado. Hoje eles precarizam para terceirizar e convence a população de que a terceirização é a melhor solução, né? Eh, a gente não tem atendimento em todas as áreas hoje no nosso município, né? E eu acho que é muito difícil até pro pra procuradoria, [risadas] porque tá difícil o negócio, né? Cada hora uma denúncia, cada hora uma coisa e a gente tem que ficar correndo atrás de denúncia ao invés de ser preventivo, né? A acho que o que a Guida falou, gente, não é a UPA, né? na minha opinião, é unidade básica de saúde, é profissional no centro de saúde, é a rede tá completa, a equipe tá completa, né? Eh, e é isso que para aí que a para isso que existiu o posto de saúde, né? A UPA é o último caso, é porque você tá doente, né? A gente tem que atender as pessoas para não ficarem doentes, né? não precisar do doente, né? E e há uma proposta do nosso grupo, né? Pelo menos dentro da nossa carta de lá de compromisso que a gente fez o passou pros prefeitos, pros deputados, pras pessoas e a Guida assumiu isso com a gente, essa luta dá dá essa questão de das creches, né? Nós temos hoje saiu uma uma notícia que o Brasil eh cumprimentou hoje 58 milhões de pessoas acima de 50 anos. Atingiu hoje 58 milhões, né? E tá onde, né? Nós temos mais a eh idosos do que criança, né? Tá, nós temos mais idades do que criança e temos mais cachorro hoje também do que a criança, né? Foi ver uma praça ali no na a praça ali do São Benedito que tem um espaço enorme fechado pro cachorro e tem um quadradinho desse tamanho para criança que não pode nem andar dentro, né? Então assim, as políticas públicas que a gente vai ter que cobrar, né? e a gente aproveitar aí que a gente tá tá em época de eleição, né? Eh, cobrar esse compromisso para quem tá lá, né? E e outra coisa que eu que eu ia falar que eu acho que é importante, eh, já vou terminar, é a questão da educação, gente, sabe? Eh, é o SIS9 Saúde. A gente tinha na secretaria, eu não sei como tá hoje, mas treinar as pessoas que estão no nos pós de saúde, né? Voltar a ter os cursos paraas pessoas, né? Fazer o treinamento, tanto nosso também, né? Nós também que estamos aqui na luta todos os dias, né? e voltar à questão da educação e saúde, sabe, na assistência e e trabalhar em conjunto, porque nós não temos funcionário, então a gente tem que trabalhar junto para fazer alguma coisa. Obrigada, Régis. Vou passar rapidinho então aqui pra Cristiane que ela tá com horário apertadíssimo aqui. É isso. Obrigada, Guida. Vou até pedir desculpas que eu vou fazer alguns comentários e depois eu preciso ir mesmo e já agradecendo, né, por esse encontro. Mas respondendo aqui rapidamente, a Isalene pergunta da prisão de pessoas idosas, né, de mulheres idosas. Na verdade, quem analisa isso é o promotor de justiça da execução penal, junto com o juiz da execução penal. E tem que ser feito um pedido em cada caso concreto, né? e eles vão analisar o crime que foi praticado, os antecedentes, todas as circunstâncias individuais ali da pessoa idosa para ver se é possível mudar a pena, né, que foi inicialmente atribuída para a prisão domiciliar, né, as condições, o laudo médico. Então, realmente assim, eu não teria, não seria possível dar uma resposta eh pra senhora, mas sim em cada processo, né, a partir do pedido que fosse feito para aquela eh idosa que está cumprindo pena. Eh, em relação a aos comentários aqui, né, fiz algumas anotações. A Dina fez um um depoimento muito bonito, né, muito comovente e eu queria pedir para que essa questão do suplemento alimentar para pessoas idosas chegasse até o Ministério Público, né, na minha promotoria ali na da na promotoria das pessoas idosas, é uma demanda que não existe. não tenho procedimento sobre isso e eu queria entender melhor o que está acontecendo, né, que tá faltando o suplemento, por que a prefeitura não tá conseguindo planejar essa compra, não tá conseguindo comprar. Então, eh, essa é uma questão que eu gostaria de de ajudar, se fosse possível, né, se vocês levassem para mim. Bom, e como que chega, né, uma demanda pro Ministério Público? O melhor canal, a melhor forma é pelo portal do Ministério Público. Lá tem um link, né, que você coloca ali o o seu CPF, mudou, infelizmente, agora tá pelo Golfbr, mas ele pode ser confidencial, pode ser anônimo, é só depois fazer essa anotação que o anonimato é resguardado. E aí, é, tem um formulário ali, você preenche, né, e pode já direcionar ali pra promotoria de justiça da pessoa idosa que vai chegar para mim, tá? Então, essa questão do suplemento, eu gostaria de entender melhor também eh a questão do do sucateamento do CRI, né, do centro aí de referência. Eu gostaria de que se vocês pudessem também fazer uma representação separada sobre isso, explicando melhor o que que tá acontecendo, se é falta de pessoal, se é falta de estrutura material. Eh, é um serviço que eu reputo importantíssimo, inclusive gostaria de conhecer, então gostaria de marcar uma visita, posso chamar o o a secretária de desenvolvimento para ir junto, né, para contar um pouquinho do trabalho da saúde, né? Mas eu acho que é isso. Eu eu posso então fazer um contato com o Dr. Daniel, centro de saúde, né, da pessoa idosa, né? Centro de referência da pessoa idosa. Tá eh bom, enfim, de qualquer forma, eu posso trabalhar junto com o o Dr. Daniel Zilian, que é o promotor de justiça que atualmente cuida da saúde pública. A gente pode fazer uma visita, chamar o secretário para ir junto, né? E e acho que vai ser bastante importante a gente também trabalhar especificamente no entendimento desse desse sucateamento aí, mas para isso precisa chegar para mim assim formalmente, tá? Se você tiver alguma dificuldade pode, né? A vereadora pode ajudar, né? Nesse sentido de porque às vezes você é servidor público, você não quer assim dispor, evidentemente ali, né? Por algum motivo, mas a vereadora pode ajudar. Eu acho que tem outros coletivos aqui que podem trazer isso para nós, eh, e sem, sem expor, tá, ninguém, nenhum trabalhador. Em relação, Guida, ao que você falou do suborçamento do SUAS, de não tá entre os oito, né, contemplados aí pelas diretrizes, nós já temos um procedimento lá na promotoria que tava tentando entender um pouco a questão orçamentária, que é bem complexa mesmo. E aí, o que que eu vou fazer? Eu vou certificar que a gente teve esse encontro, que você comentou e eu já vou pedir uns ofícios. É, se você quiser mandar melhor ainda, mas já vou pedir uns ofícios para entender melhor também isso. Tô saindo com um monte de trabalho, como vocês viram, um monte de estão de casa. Eu sou eu sou essa pessoa que não pode nesses eventos. [risadas] Eh, em relação ao transporte público, a gente tem procedimento lá na promotoria de justiça que questiona o pai, que questiona a gratuidade voltada pra pessoa com deficiência. Se por acaso vocês acharem que a pessoa idosa tem alguma peculiaridade, que não estaria já sendo contemplada pela lógica aí da atuação nossa em relação à pessoa com deficiência, eu também tô aberta a receber essa representação. Senão, só para vocês saberem, a gente tem eh olhado para isso, inclusive a esse atendimento aí do SAEC, né, a questão das hemodiálises, que eu tô tentando entender, porque as hemodiálises passaram pro pai, então lota o serviço do pai e aí a pessoa com deficiência não tá conseguindo usar o pai. E também eh me parece que o pai não é só para serviço de saúde, tinha que ser para outras coisas também, né? Então a gente tá tá analisando tudo isso, tentando entender tudo isso para trabalhar. Se por acaso houver alguma especificidade da pessoa idosa, repito, aí vocês me levam para eu poder eh entender junto com essa questão que já tá sendo trabalhada. Por fim, o que a Roberta falou do gerontólogo na equipe de saúde da família também, né? Acho que pode vir para nós, né? essa questão. Achei muito interessante, muito pertinente a sua colocação, né? Eh, acho que o gerólogo realmente tem que ser valorizado, né? Eh, tem uma importância mesmo eh indiscutível em relação às políticas específicas paraa população idosa e a gente tem que valorizar sim a atenção básica, né, de saúde. Então, eu tô aberta aí para receber essas representações, tá bom? Vou levar o papelzinho, ó, para não esquecer. E recorrendo porque tá cheio de representação lá de outras muitas [risadas] pessoas. Gente, obrigada, promotora. Muito obrigada mesmo, Cristiane, pela parceria. Eh, eu vou ter que encerrar. Não vou nem conseguir voltar aqui pra mesa porque já tem uma, eu tenho uma eu tenho uma uma agenda 5:30 em Limeira e tem agora uma reunião aqui 4:30 que é uma outra que eu que eu a que eu achava que não teria, mas vamos ter uma outra uma outra reunião aqui. O que eu queria propor, eu vou propor porque assim, teve muita coisa aqui, tem muito encaminhamento. Es essas essa essas questões do CRI a gente pode acompanhar, a gente pode visitar, pode fazer a denúncia, tá? Para que não saia de lá, para ter uma certa proteção aí com vocês. A gente faz pelo mandato, mas eu queria propor mesmo um um comitê, um grupo pequeno de vocês, não sei comitê, Ivone, vocês aqui juntar. Bom, você já tem, né, esses cometê, enfim, mas acho que levar nesse fórum aí pra gente poder tirar esse esses encaminhamentos todos que saíram aqui. Tem coisas que eu já sei que eu, né, que eu tenho que fazer já de imediato, mas tem outras que a gente poderia pensar juntos com vocês. Talvez o comitê da CUT, não sei, a gente pode ir para lá numa reunião que vocês fizerem e a gente discutir tudo que foi, os encaminhamentos, fazer os os encaminhamentos por lá, porque eu acho, eu sou que nem também a promotora, eu não consigo sair de uma reunião sem tirar tarefa, porque senão senão não tem sentido, né? É, eu sei que a gente gosta de conversar também, mas não é só isso, tá bom? Então é isso. Sim. Boa tarde. Boa tarde. Eu sou Maria Adriana, faço parte do coletivo aqui do Juarez, dos aposentados e pensionista. Eu já falo algo, pessoal. Eu faço parte do sindicato dos bancários, tá? E faço parte, estou aqui pelo coletivo. Sim. E e hoje, por coincidência, nós teremos agora às 16:30 uma audiência pública eh com o pessoal do sindicato para falar de uma outra violência também que está ocorrendo, que é o fechamento das agências bancárias na nossa cidade e principalmente nas agências tradicionais do centro da cidade. Se vocês rodarem por lá, vocês vão ver que em algumas existem apenas maquininhas. Sim. Certo. Então, eu quero poder convidar, eu estou convidando vocês a mudar de sala. Serão todos bem recebidos. Muito obrigada. Obrigada, pessoal. Obrigada mesmo. Um ótimo debate. A gente tá à disposição. Oi, prazer imenso. no maior. Encerrado, portanto, o debate público sobre Junho Violeta, voltado à conscientização e ao enfrentamento à violência contra as pessoas idosas. Estou aqui com a vereadora Guida Calisto, ela que é a responsável por essa iniciativa, por esse debate público. Vereadora, seja muito bem-vinda. Muito obrigado. Primeiro, eu quero que a senhora explique pra gente quais são os principais pontos de atenção e por é importante trazer esse debate para a Câmara Municipal de Campinas. Bom, vou começar pela parte final da sua pergunta. Esse essa esse tema é extremamente importante, né? A população brasileira está envelhecendo e Campinas é uma cidade em que o número de envelhecimento também é maior, ou seja, as pessoas estão vivendo mais e a gente continua enfrentando muitos desafios, principalmente na questão da violência contra a população idosa. Eh, nós temos dados aqui importantíssimos que nos dão conta de que mulheres sofrem violência física, a população idosa como um todo, né? Mas e eh quando você tem um marcador de gênero, as mulheres são as que mais sofrem violência, mas a população idosa sofre violência física, moral, emocional, patrimonial, abandono, negligência, enfim. Então essa matemática é extremamente importante. Me parece que ontem o Brasil também eh traz um dado importante que a população é idosa aumentou muito mais, né? E, ou seja, nós precisamos ter um olhar, um olhar importante para essa questão, tanto do ponto de vista da violência também, como do ponto de vista do cuidado, porque a população idosa é uma população que requer um trabalho do cuidado, as famílias precisam, né, ter esse cuidado com o seu idoso. Muitas vezes as famílias não estão estruturadas para poder garantir esse cuidado, essa dignidade, esse envelhecimento digno. Enfim, é uma agenda extensa, é uma agenda grande, extremamente importante, extremamente atual. Se o Brasil quer ter ser um país humano, um país digno, tem que ter um olhar específico e humanizado para a população idosa em todas as suas especificidades. E quais políticas públicas, quais ações podem ser pensadas pelo poder público e pela Câmara Municipal de Campinas? Olha, nós apresentamos um projeto de lei que é a presença de geriatas e gerontólogos nas equipes multic do centro de saúde. Por quê? Nós precisamos ter equipes eh de saúde da família também completas, em condições de atender a população que se socorrem ao centro de saúde, a uma unidade básica de saúde, mas nós também precisamos ter eh profissionais especializados para atender essa população. Essa é uma importante iniciativa, mas a gente precisa fiscalizar muita coisa, né? Por exemplo, precisamos ver o orçamento público. Cuidar da população idosa requer ter orçamento público. Não tem como você fazer política pública para atender essa população se não tiver financiamento. Ontem nós discutimos aqui a LDO e a LDO não tá contemplando a assistência social entre uma das oito áreas que vai mais receber recursos. Ou seja, uma área tão sensível que é a assistência social, que tá inserida ali a demanda dos idosos, a gente vê que não teve uma priorização do governo municipal aqui de demandar recursos para atender. Então, assim, são vários projetos que podem ser por exemplo, pautar aqui a questão da moradia, acompanhar o conselho municipal do idoso, né? eh verificar como que o centro de referência de atendimento à população idosa está atendendo os nossos idosos. Teve uma reclamação aqui que nesse centro de referência não tem suplemento para garantir, né, a alimentação suplementar do dos idosos. Enfim, é muita coisa que pode ser feita, mas a gente precisa iniciar, precisamos fazer para poder garantir direito e pra gente poder encerrar com a violação de direitos que os nossos idosos estão sofrendo. Tá certo? Então, vereador, muito obrigado e obrigado pela disponibilidade. Eu que agradeço. Obrigada. Obrigado. Confirmando então encerrado o debate público sobre o junho violeta, que é sobre a conscientização e o enfrentamento à violência contra as pessoas idosas. Nós vamos interromper a transmissão ao vivo da TV Câmara, mas você continua com a nossa programação. Agradeço a sua audiência. TV Câmara, Campinas. A cada ano eu tenho a oportunidade de transformar o inverno de alguém. Um agasalho sem uso [música] pode ganhar uma nova história. Se não tô usando, tô doando. Campanha do agasalho 2026. Presente no inverno e em todas as [música] estações do ano, oferecendo dignidade a quem mais precisa. Particip doe roupas em bom estado. Realização, Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social. Prefeitura de Campinas.