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CÂMARA NOTÍCIA - 2023 - TERRITÓRIOS DE RESISTÊNCIA NEGRA - CLUBE MACHADINHO
Em destaque · HD Vídeo · MÊS DA CONSCIÊNCIA NEGRA

CÂMARA NOTÍCIA - 2023 - TERRITÓRIOS DE RESISTÊNCIA NEGRA - CLUBE MACHADINHO

268 views Publicado 24/11/2023 HD · 16:58

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Na Série de reportagens “Territórios de Resistência Negra” conheça o Clube Machadinho, símbolo da resistência em uma época em que as pessoas pretas não podiam frequentar outros clube sociais

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[Música] uma área bem no miolo da Vila Industrial que um dia foi um clube que representou a resistência de negros e negras da cidade em torno de um direito o lazer nas paredes retratos antigos que fizeram parte de uma exposição e que contam um Pou pouco da história deste espaço com a compra da Chácara Árvore Grande por ex-combatentes negros que quando Retornam da Guerra decidem criar o clube cultural Recreativo de Campinas fotos de alguns ex-presidentes carteirinhas que viraram suvenirs o baile de debutantes das moças negras daquela época concursos de beleza recortes de jornais folhetos da luta do povo negro contra o racismo luta que o advogado Ademir José da Silva resgata em suas memórias o clube foi criado né em 1945 por um grupo de negros que vieram né da segunda que retornaram da Segunda Guerra Mundial e encontraram eles queriam criar um clube que tivesse voltado para a cultura então que não se chamasse 13 de Maio ou qualquer coisa relativo né a aí o Ato da Abolição em si mas o tratar-se do negro integrado na cultura brasileira e voltado para a cultura e também para o lazer era de propriedade de um ex que foi ex-presidente senhor Benedito Machado né por isso que ele chama clube cultural Recreativo e Campinas e tem o apelido de Machadinho né né então Eles resolveram criar esse clube voltado para a cultura e para eh o lazer né E foi fundado em 8 de maio de 1945 ele mesmo conta o que o motivou a procurar a agremiação na década de 1970 quando chegou em Campinas a principal razão né até de eu ter descoberto o clube cultural Recreativo Campinas foi que eu chegando né de não conhecia aqui a cidade de Campinas e comecei trabalhar aqui e eu quis comprar ser comprar um título de um clube social aqui em Campinas e esses os vendedores ficavam ali em frente os correios e aí vendendo os título quando eu passei lá tinha dinheiro para para comprar o título quando eu passava eles diziam que não tinha título aí eu consegui um sócio que eh não não não tinha mais interesse de ser sócio falou Ademir faz uma transferência desse título para você eu fui fazer a transferência né cumpri aqueles requisitos lá que era três fotografias uma quantidade lá em o dinheiro da época e aí passou uma semana duas semanas três semanas não se resolvia né Aí quando já fazia quase um mês eles disseram que eu a minha ficha não tinha passado pelo conselho Ah mas se o senhor conhecer um diretor que possa fazer a ação não tem problema aí eu tinha Conheci um diretor conversei com ele Ah vamos não vai ter problema aí que que aconteceu né foi mais uns dois ou três meses cheguei à conclusão do seguinte né que descobri o que era né problema a questão era racismo ou eu pagava para ver ia brigar para ser sócio de um lugar que eu não não era bem quisto ou né né procurar um lugar que que eu pudesse eh desenvolver as minhas habilidades tanto sociais quanto culturais Aí fui procurar em Campinas e descobri o clube cultural Recreativo Campinas fui até o clube gostei e de imediato ingressei na juventude lá do clube cultural Recreativo Campinas Dona Clarice lembra do trabalho do marido braço direito do senr Benedito Machado ele trabalhava com seu Machado ele seu Machado os papéis os documento meu marido chegou e ia até para São Paulo para poder tirar a escritura daquele Clube ela agarda um jornal de 1961 que mostrava um projeto ousado a construção de uma piscina no clube tudo discutido em reuniões nas Casas dos diretores tinha o plano da piscina tinha o plano da quadra que até depois que ele faleceu falou que ia pôr o busto dele lá mas nunca mais eu né a gente não não sei anos mais tarde um grupo de jovens que pensava nas mulheres que saíam para trabalhar e não tinham com quem deixar os filhos e a oportunidade para quem queria estudar nós tínhamos né nós quizemos materializar essa proposta né de ser da cultura trazer a cultura e educação e aí nós um grupo de também desses professores alunos né que se dispuseram a cada um na sua especialidade dar aula né Eu tinha uma especialidade sabia inglês fui professor de inglês lá nós ti tivemos curso de inglês também na lá para as pessoas que tivessem interesse em estudar então era iniciativas voltadas para eh aqueles que não tiveram oportunidad onde as mulheres pudessem eh deixar os seus filhos como se fosse uma creche isso lá na década de 197 isso como se fosse uma creche Enquanto elas trabalhavam nos seus né nos seus serviço na maioria às vezes eram trabalho doméstico né então eh não não chegamos a concretizar esse objetivo mas lutamos bastante um lugar que reunia a comunidade Negra neste palco com muitos eventos como lembra o senr Zé Maria que guarda fotos de quando seu pai Sebastião da Silva que era da diretoria esteve inclusive com o prefeito de Campinas Chico Amaral e a primeira dama Marília martorano do Amaral meu pai ele sempre trabalhou no Instituto agronômico então ele tinha uma outra visão de tudo que acontecia até porque já convivia preto branco tudo junto aí ele conhecia o pessoal e o pessoal como tinha essa carência e essa deficiência e esse racismo entre aspas eles achavam que teria um espaço lá pro pessoal se reunir contar suas experiênci e trocar papo esse tipo de coisa e lá tinha as domingueiras a festa dos chups tinha a festa das beneméritas era um espaço legal que a juventude na época Negra costumava frequentar nós fazíamos festas né fazíamos festas fazíamos tinha um grupo de senhoras chamadas beneméritas aqui em Campinas que e tinha uma uma família também de negros uma família muito grande família Baltazar né que tem o coral Maria Neves Baltazar então isso estava ligado às atividades que se realizavam no clube nós tivemos né né a miss Pérola Negra lá no clube a miss da Miss Campinas participou né foi para São Paulo participar acho que nós tiramos o segundo lugar em São Paulo nesse período uma das beneméritas do clube cultural é a dona Ana que Lembra daquela época nostálgica a primeira vez que nós foi se ajuntando a Edmeia convidou uma parte das amigas que eles lá o pessoal do Baltazar Eles foram gente muito conhecido aqui em Campinas na São Paulo né Então aí convidou bastante gente foi assim gostoso sempre foi assim muito boa as reuniões todo mundo trabalhava as benemérita todas trabalhavam era na hora de servir cada uma procurava ajudar a outra para servir os convidados né que estavam presente então foi muito gostoso nossa foi bom porque daí aumentou mais as amigas eu sempre gostei de estar no meio de muita gente e sempre gostei de conversa de prosear né conhecer pessoas novas diferente então para mim foi ótimo ela conta que teve sempre o apoio do marido que acompanhava em grande parte das atividades sociais do Clube o meu marido ele sempre que ele podia ele ia me buscar quando não dava para ir buscar ele às vezes dava para ele buscar às vezes não dava mas ele sempre me acompanhou sempre que teve as coisas lá ele sempre teve junto Ah ele ajudava precisava ajudar P as cadeiras mesa oar tudo e arrumar as garrafa para servir guaraná o que tinha tudo então ele foi sempre atirado para servir para ajudar o machadinho faz parte do roteiro afro da Prefeitura de Campinas local em que a comunidade Negra também atuava em combate ao racismo ele parte de uma mobilização das pessoas para comprarem aquela área diferente dos outros clubes sociais que ganharam terreno do poder público Aquele clube se forma Então a partir de uma mobilização e nos bailes e nas festas que aconteciam lá é que eh se deram muitos casamentos muitos namoros as pessoas se conheciam e a partir desses laços de solidariedade e amizade é que se fortaleceram muitas lutas e muitas relações entre as pessoas que contribuíram para o desenvolvimento dessa comunidade aqui em Campinas as entidades negras não só o clube cultural Recreativo Campinas mas como a Corporação musical dos homens de cor como a a Liga humanitária dos Homens de cor foram entidades criadas né diante dessa contraposição de não opção de participar na sociedade na sociedade Campineira com a sua totalidade de desenvolvimento né então o clube tinha também essa razão a nossa cidade tem um tem uma histórico muito triste sobre esse negócio de racismo e continuou aí se não por causa da sua cor você não era aceito um clube tinha e tinha esse espaço aí pro pessoal se reunir trocar um papo trocar umas ideias e aqui que tanto movimentou a cidade está sim com muita coisa para fazer e enormes problemas financeiros e uma das principais dificuldade que nós temos é justamente a questão da nossa conta bancária que hoje não temos nem como pela nossa instituição pedir arrecadação de recursos porque a conta tá bloqueada nós temos um uma um documento que prova de que somos uma uma instituição sem fins lucrativos e que nos anos de 1984 Me falha a memória o Magal Teixeira deu no utilidade de utilidade pública direito de utilidade pública então só por esse documento não era para est no caso sendo cobrado mas hoje temos acumulado uma dívida e ela vem arrolando desde 1991 e que tá batendo no teto de R 1 milhão deais hoje como fando uma dívida num valor desse aí se nem conta bancária temos para poder arrecadar administrar dinheiro então agora nós estamos constituindo essa ONG Para justamente apresentar o poder público pedir a eles para que possa est Dando uma uma trégua né porque a gente possa est se organizando para exatamente pagar nós temos na verdade muitas necessidades a a tá desenvolvendo e a instituição que a gente tá ela tá assim com uma certa dificuldade de de se levantar porque sempre foi difícil para quando as pessoas não têm recursos principalmente financeiro fazer o aporte de acontecer as coisas que se precisa né hoje o machadinho sobrevive como eu assim vive eu posso falar diretamente do do bolso do meu bolso porque não tem outra alternativa a sede do Machadinho foi palco do sonhos e anseios de várias gerações de famílias negras em Campinas e hoje apesar da situação precária Ainda há o desejo de que volte a ser um local de resistência ponto de cultura e lazer da cidade mas o que é preciso para que este Clube volte a ser um local de referência para os que já passaram por aqui e muito mais para a atual geração de afros descendentes em Campinas agora estamos pensando na Alternativa de constituirmos uma ONG para que possa no caso entrar em parceria com a instituição para poder ter o direito no caso de arrecadar recursos financeiro pra instituição Machadinho eu quero fazer um apelo mesmo para que todas as pessoas que queiram se sentir fortalecido venham para cá e venham realmente nos ajudar hein nós estivemos com os representantes do clube Machadinho e nos colocamos à disposição para desenvolver oficinas culturais aberta a toda a população lá naquele espaço público a gente também ofereceu apoio a eventos e principalmente a solidariedade para juntos pensarmos soluções pras questões de infraestrutura pros Desafios que aquele espaço tão importante tem no dia de hoje da ideia as novas para eles fazer domingueira fazer e bingo que o povo agora adoram um binguinho Principalmente as pessoas de idade também gosta então começar a movimentar mais porque ali foi ficando ficando ficando ficou e não é isso que a gente queria né a gente queria ver aquele sambão aquele movimento de gente de domingo as famílias ir lá né os levar os netos tudo reunir o povo mas precisa assim que as pessoas né faça alguma coisa para para porque por mim já tinha sido feita porque olha faz 59 anos que o meu marido faleceu então você vê que faz uns 60 anos mais que eles estão lutando e não consegue eu acho que tem que ter uma campanha alguma coisa pra gente resgatar aquele espaço lá que sempre foi nosso Diferentemente da maioria dos clubes que são doação do município né esse clube foi criado surgiu do próprio esforço da comunidade Negra Campineira então é muito importante que seja feito um esforço para né em conjunto aí seja quer seja o poder público quer seja a iniciativa privada né a a a a comunidade a eh organizada comunidade civil organizada né sociedade fazer aí um um um esforço conjunto para reerguer novamente o clube sem é ver isso aqui repleto de pessoas que possa no caso vim eh não somente contribuir Mas venha usufluir venha venha se alegrar vem a se divertir que esse aqui é um espaço que trouxe muita alegria para muita gente muitas pessoas se conheceram namoraram e se casaram garam filhos e depois se foram eu gostaria que todas as pessoas que se passou por aqui um dia voltasse e falasse aqui é nossa casa aqui é nosso [Música] l
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