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Dá para imaginar uma Copa do Mundo sem ligar a televisão ou pelo menos a tela do celular. Para milhões de pessoas com deficiência visual, essa é a única forma de acompanhar o futebol ouvindo. É assim que o corintiano Adilson Lopes vive cada partida. Guiado pela narração, ele transforma cada lance em imagens na cabeça e acompanha praticamente todos os jogos da copa, não apenas os da seleção brasileira. Quando a bola rola, nem todo o torcedor acompanha a partida olhando pra tela. Para pessoas com deficiência visual, a emoção na voz dos narradores é o que traz a informação durante as partidas de futebol, além da áudio desescrição. É assim que o Adilson acompanha as partidas do Corinthians e também da seleção brasileira. Bom, o futebol, que é o esporte que eu mais acompanho, é mais pelo rádio, porque é mais descritivo, mais narrativo, é mais detalhado para dar informações, ã, as informações são mais detalhadas, então eu gosto mais do rádio. Agora, se for Fórmula 1, por exemplo, aí não faz diferença ser rádio ou TV. Eu posso acompanhar pela TV na época áurea da Fórmula 1, né, na época do Cena do Piqu, eu acompanhava mais pela TV, porque eu gostava da equipe da Rede Globo que acompanhava, né, com Galvão Bueno, Reginaldo Leme, eh, Mariana Becker, até o Roberto Cabrini acompanha uma época como repórter, mas hoje eu acompanho a Fórmula 1 pelo rádio também, porque a a rádio Band News São Paulo transmite todas as corridas de Fórmula 1. Então eu acompanho muito pelo rádio também, porque eu não tenho mais TV em casa. Mas quando é Fórmula 1, não faz diferença se rádio ou TV. Agora no futebol sim, porque como ele é um esporte mais veloz, mais ágil, eh, no sentido de da do desenrolar das cenas, para mim faz diferença ouvir o rádio, porque como a TV ela já tem a imagem, o narrador não tem a necessidade de ficar descrevendo o tempo todo, né? Então, pela TV você perde muita cena, você perde muitos, muitos movimentos, né? Depois do apito final, ele ainda acessa canais do YouTube para ouvir comentários e análises sobre o que aconteceu em campo. Eu gosto de ouvir os podcasts e os canais dos comentaristas mais famosos. Os comentaristas que eu gosto, né? Não é necessariamente os mais famosos, porque não são todos que eu gosto, mas eu tenho alguns comentaristas que eu gosto de acompanhar no no nos canais de YouTube que eles têm. Aí é mais pra opinião mesmo, né? É opinião, mesa redonda, bate-papo, debate, né? Quando é podcast, por exemplo, tem muito debate, né? Agora em época de copa, até os podcasts que falam de assuntos diários tem abordado muito futebol, né? o muita gente ligada ao futebol tem o flow, a inteligência limitada, ao a a vários canais assim mais famosos que não são necessariamente canais esportivos, canais de esportes. Então eu ouço muito para ouvir o parecer do pessoal, mas eh o YouTube é mais para isso mesmo. Adilson teve glaucoma e perdeu totalmente a visão aos 7 anos de idade. A memória traz as partidas de futebol que assistia nos estádios com os irmãos. Essas lembranças ajudam o bancário a imaginar os lances da Copa do Mundo ao ouvir a partida pelo rádio. Além disso, ele jogou futebol adaptado na infância. É, isso me ajuda a imaginar mais, mas não é nem tanto por ter enxergado, Taila. É mais porque quando eu era criança, depois que eu perdi a visão, eu estudei num colégio interno em São Paulo e como eu era interno, lá a gente jogava muito futebol adaptado, né? todo o tempo disponível que nós tínhamos, a gente ia para pras quadras, tinha duas quadras no colégio e a gente jogava futebol lá com bola de guiso. E lá eu acostumei a jogar bola e eu passei a ter o entendimento das posições dentro de uma quadra, do que ia ser um zagueiro, do que ia ser um atacante, do que é ser um goleiro, do das movimentações. Então é essa essa essa noção é que ajuda a gente a visualizar mentalmente uma jogada. Claro que é uma visão, ela é assim muito genérica, vamos dizer assim, né, Tla? Porque o esporte, como tudo na vida, ele muda bastante. Então o esporte de hoje ele é muito mais ágil e muito mais físico do que na minha época de criança. Então eu imagino que um futebol, que uma partida de futebol hoje, ela é muito mais corrida, ela é muito mais desenvolvida dentro de de um sistema de velocidade do que era naquela época. Mas a gente tem a noção, por exemplo, de quando um jogador vai pra lateral e cruza uma bola pra área, de quando um jogador tá no meio de campo e lança um um atacante que tá entrando na velocidade para para chegar na casa do gol e finalizar. Quando é uma cobrança de falta, que você tem uma barreira na frente com vários jogadores. E então esses movimentos da partida, entende? Quando é um escanteio, uma cobrança lateral. Além das transmissões esportivas tradicionais, os recursos de acessibilidade vem ampliando a participação de pessoas com deficiência visual no futebol. A audiodescrição detalha posicionamentos, movimentações e expressões durante a partida, tornando a experiência ainda mais inclusiva. O recurso também está disponível no teatro, cinema e outras formas de cultura. Eu uso audiodescrição em filmes e cinema e teatro. Aí eu uso bastante. Eh, eu tenho inclusive uma colega muito querida que é professora de audiodescrição, ela trabalha em muitos eventos, então ela sempre me manda mensagens avisando dos eventos. Mes el mandou uma mensagem de um evento que vai ter amanhã no Centro de Convivência à noite com exibição de filmes. E então assim, para filmes e peças teatrais, musicais eu vejo assim a audiodescrição. Agora para esporte ainda não peguei não. Mas é no rádio que a riqueza de detalhes da narração permite que Adilson acompanhe cada lance como se estivesse vendo a partida, seja pelo rádio, pela internet ou pelos recursos de acessibilidade. Adilson mostra que a paixão pelo futebol vai muito além das imagens. de tanto ouvir rádio desde criança, eu ainda prefiro rádio. O rádio, senhor acredita que passa além dos detalhes, né, da descrição, que nesse caso é fundamental também a emoção ali do momento. Sim. E outra coisa, o é você citou um ponto importante que é a a emoção mesmo, né? O narrador ele não é apenas um narrador. Até o Galvão Bueno fala muito isso, né? Eles são vendedores de emoções. Então, se o jogador chega na frente do gol, por exemplo, e pede um gol, fala para fora, dá aquela vibração na voz. Então, é diferente. Não é simplesmente você ouvir áudio desescrição dizendo: "Ah, jogador recebeu a bola na cara do gol diante do goleiro e chutou para fora." Não tem emoção nenhuma, né? Então assim, acho que você fala em esporte, a emoção tem que tá presente, que é o que faz a gente vibrar com com o lance, com a jogada, né?