TV Câmara Campinas explica causas do sono após o almoço
Médico do Hospital Sírio-Libanês explica que sonolência pós-almoço atinge cerca de 50% da população e pode ser reduzida com hábitos simples.
O programa Saúde Agora, da TV Câmara Campinas, exibido em 22 de outubro de 2026, discute a sonolência que surge logo após o almoço, fenômeno conhecido cientificamente como letargia pós-prandial. Segundo a edição, a condição afeta cerca de 50% da população e é considerada uma resposta natural do organismo, mas pode ser reduzida com mudanças de hábito.
O programa recebeu o médico Maurício Bagnato, especialista em medicina do sono e pneumologia do Hospital Sírio-Libanês e responsável pelo serviço de polissonografia do hospital e do núcleo de medicina avançada do sono. Segundo ele, a sonolência logo após o almoço tem explicação fisiológica, ligada ao ritmo circadiano do organismo.
Isso realmente pode ser fisiológico. Todas as pessoas têm um pouco disso. O problema é quando isso é excessivamente marcante na vida das pessoas, aí nós temos que tomar alguma providência.
De acordo com o médico, por volta das 13h e das 15h ocorre uma diminuição fisiológica do estado de alerta e uma discreta redução da temperatura corporal e cerebral, o que favorece a sonolência. Esse ritmo não é constante ao longo das 24 horas, e a queda após o almoço é considerada normal.
Alimentação, hormônios e sistema nervoso
Bagnato explica que refeições grandes, com excesso de carboidrato, álcool e gordura, intensificam a sonolência. A recomendação é equilibrar a dieta com fibras, carboidratos e proteínas, manter boa hidratação e, se possível, fazer uma caminhada leve após a refeição.
O médico também cita o papel de hormônios como o GLP1, que atua na saciedade e se altera após as refeições, e o aumento de glicose e insulina, que elevam a produção de triptofano, substância precursora da serotonina e da melatonina. Segundo ele, esse processo contribui diretamente para a sonolência pós-prandial. Há ainda a ação do sistema nervoso parassimpático, que reduz a frequência cardíaca e a atividade metabólica, aumentando a sensação de sono.
Para o especialista, a combinação desses cinco fatores (ritmo circadiano, composição da refeição, variações hormonais e intestinais, glicose e insulina, e atividade parassimpática) explica a sonolência considerada normal após o almoço.
Quando a sonolência pode indicar doença
Bagnato alerta que, quando o cansaço é excessivo, é preciso investigar outras causas. Entre elas, ele cita o uso de medicações como hipnóticos e antidepressivos, quadros de anemia e flutuações glicêmicas.
O médico destaca ainda a apneia do sono, que atinge cerca de um terço da população, segundo ele, e a resistência de vias aéreas, um quadro intermediário entre o sono normal e a apneia, em que o paciente faz esforço extra para respirar e tem o sono fragmentado. Outras condições citadas foram o movimento de pernas inquietas e o hipotireoidismo.
Segundo a descrição do programa, hábitos como alimentação equilibrada, atividade física, hidratação adequada e até um cochilo de 20 minutos podem ajudar a reduzir a sonolência após o almoço e preservar a produtividade ao longo do dia.
Assista à íntegra
A matéria completa foi ao ar no SAÚDE AGORA da TV Câmara Campinas. Assista ao vídeo original: Saúde Agora | Sono Após o Almoço.
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