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Campanha do agasalho 2026. Presente no inverno e em todas as estações do ano, oferecendo dignidade a quem mais precisa. Particip doe roupas em bom estado. Realização, Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social. Prefeitura de Campinas. A seguir, TV Câmara ao vivo. TV Câmara, Campinas. Olá, muito boa tarde. A partir de agora você acompanha ao vivo a primeira parte da 36ª reunião ordinária que, por iniciativa da vereadora Guida Calisto vai discutir o aprimoramento da segurança pública sobre a ótica do combate ao racismo estrutural. Com a palavra a vereadora Guida Cali. Olá, boa tarde. Boa tarde a todas as pessoas aqui presentes. Eu sou a vereadora Guida Calisto. Estamos iniciando o debate aqui de primeira parte. primeira parte, porque hoje nós temos sessão ordinária nesse plenário e o tema dessa primeira parte de hoje é debater, nós vamos debater sobre racismo e segurança pública no estado de São Paulo. Para isso, nós temos um convidado aqui que é o Claudinho Silva, é ex-ovidor das polícias do estado de São Paulo. Claudinho eh teve uma passagem muito importante na ouvidoria das polícias aqui, teve um papel fundamental, um papel fundamental principalmente no momento de acerramento de muita violência que foi cometida no estado de São Paulo contra principalmente a população negra, a juventude periférica, eh num momento em que houveram violações gravíssimas dos direitos humanos. Então, Claudinho, além de ser o militante que acumula essa pauta, esse debate, essa discussão, eh, que ele é um especialista dessa área de segurança pública, também teve uma atuação muito importante aqui no estado de São Paulo, que é um estado que acumula aí uma estatística nada agradável, uma estatística que não representa eh um estado humano do ponto de vista da segurança pública para a população periférica, para a população popular, para a juventude periférica. Então, eu agradeço demais a oportunidade da gente receber aqui conosco o Claudinho Silva. Eh, nós vamos fazer esse esse debate. Vou abrir a palavra para o Claudinho, eh, dizendo que essa primeira parte está sendo transmitida pela TV Câmara. Quem quem estiver aqui presente aqui nesse plenário e quiser compartilhar o link, é importante porque com certeza nós vamos eh aqui presenciar um bom debate sobre essa discussão. Então, peço aí que as pessoas possam compartilhar o link da TV Câmara no YouTube para que as pessoas que não estão aqui presentes nesse momento possa acompanhar também nesse momento. Bom, antes de passar aqui para o Claudinho, eu quero fazer um agradecimento aos servidores dessa casa, né? servidores que torna possível esse momento, a realização de desse momento. Todos os servidores, né, o cerimonial, recepção, pessoal da TV Câmara, eh pessoal da da limpeza, enfim, da vigilância, todos e a nossa assessoria também. Muito obrigada pelo trabalho prestado e por nos dar condições de estarmos aqui exercendo a nossa função. Bom, Claudinho, obrigada pela sua presença aqui, né? Lembrando que nós estamos numa cidade, uma cidade, cidade de Campinas, uma cidade, uma metrópole, né, aqui do interior paulista, reú várias cidades no entorno, uma cidade de em torno de 1.200.000 1000 habitantes, uma cidade que tem uma população periférica potente, gigante, uma juventude negra, uma juventude trabalhadora e que e uma população que tem eh cada vez mais nos solicitados nos solicitado debater a pauta, a agenda da segurança pública. Então, eh, com certeza o acúmulo que você tem vai poder nos ajudar, nos apoiar a fazer um debate sério, não um debate sensacionalista, não um debate raso, não um debate carregado de ódio, mas um debate sério para garantir de fato que a a segurança pública seja um direito amplamente eh amplamente acessado, garantido às pessoas. Então, muito obrigada, Claudinho e fique à vontade. Eu quero agradecer o convite, vereadora Guida Calisto, eh, e aproveitar a oportunidade para manifestar meu mais alto respeito à sua trajetória, a sua militância, o seu ativismo, mas acima de tudo ao grande mandato que você constrói e realiza eh aqui na Câmara Municipal de Campinas, garantindo a efetivação de direitos paraa população, especialmente a população mais carente dessa cidade, que como Vossa Excelência mesma trouxe na sua fala, é uma metrópole, é uma cidade muito maior do que o de muitas capitais brasileiras e, portanto, Campinas tem eh grande relevância e importância no cenário nacional. Eh, apenas por por isso, né? Por isso só já é uma grande cidade e guarda bastante relevância na cidade, no estado, no estado de São Paulo e no Brasil. Eu eu através da senhora vereadora, quero cumprimentar toda a Câmara Municipal de Campinas, os vereadores, as vereadoras e dizer da minha satisfação de estar aqui nessa tarde, podendo propor aqui ideias, debates, reflexões que possam efetivamente, né, levar-nos ao ao debate de fato de segurança pública, que é um tema que neste ano, dada a relevância do ano ser um ano eleitoral, né, nós vamos eleger esse ano governadores, senadores, eh presidente da República, deputados federais, deputados estaduais e e esse tema vai ocupar grande espaço, né, grande boa parte do espaço do debate eleitoral e é um tema que a gente precisa levar pra população, pra população poder refletir e pensar. Tá? Eh, de que forma que todos nós, né, cidadãos e cidadãs, que estamos eh abaixo, né, ou sob a batuta de uma Constituição cidadã, né, quando eh o legislador promulgou a Constituição da República Federativa do Brasil e a apelidou de Constituição Cidadã, aquilo era efetivamente um chamado, uma convocação à participação. E eu penso que a política de segurança pública ela é tão primordial, tão relevante, tão importante, que a gente precisa necessariamente que a população, cada cidadão, cidadã, desde o mais humilde até o até o da classe mais abastada, participe, dialogue, proponha e construa eh a política de segurança pública, que é uma política que nos atravessa em várias dimensões das nossas vidas. A segurança pública ao longo dos anos, vereadora Guida, ela tem sido tratada como uma política que que precisa ser eh discutida, pensada, refletida e efetivada apenas sob a perspectiva daquele ou daquela que eh faz parte de alguma corporação de segurança. pública. E isso é um equívoco de uma grandeza que não guarda precedentes na nossa história. E aí eu quero dizer que historicamente eh figuras, né, que se colocam mais à direita no espectro político, como por exemplo o secretário de segurança pública, o ex-secretário de segurança pública aqui do estado de São Paulo, Guilherme Derrite, tem defendido que quem nunca sentou num banco de uma viatura não pode opinar na política de segurança pública. Quando o secretário faz uma afirmação desse tipo, o que ele tá querendo dizer é que nem eu, nem a vereadora e nenhum cidadão que nunca foi um policial militar, civil, científico ou até mesmo GCM ou policial penal, não tem o direito de opinar na política de segurança pública, exatamente porque nós nunca vivenciamos o que é a vida do ser humano policial. eh, militar, civil ou científico. E eu recebo essa mensagem com primeiro com indignação, porque isso é de um desrespeito fora do comum. e segundo com um desafio colocado pelo próprio deputado, hoje deputado federal e ex-secretário de segurança pública, visto que como que um deputado federal ou um secretário de segurança pública tem a coragem de vir a público, ele que também está submetido a essa Constituição cidadã de 1988 e diz que quem financia a política pública de segurança não tem o direito de opinar sobre ela, como que o o gestor da política pública vai desenvolver uma política pública que me alcance e que me contemple se ele sequer quer me ouvir a respeito do que deve ser aquela política para ele? Esse é um aspecto preliminar que eu quero trazer, porque eu acho que o grande desafio que tá colocado no debate de segurança pública é a gente fazer com que cidadãos e cidadãs de bem não tenham medo da polícia, porque o que ocorre hoje, e essa experiência eu tive estando 2 anos à frente da ouvidoria da polícia, da da polícia civil, da Polícia Militar, da Polícia Científica. do maior estado da América Latina, que é o estado de São Paulo, é que a partir dessa experiência, a minha percepção é que promotores têm medo de polícia. E aí eu pergunto pra vereadora, pro próprio secretário de segurança pública, como que o Ministério Público exerce o seu papel de controle externo da atividade policial se um promotor tem medo da polícia? Eu pergunto, como que a gente pode ter uma segurança pública próxima das pessoas, uma polícia de proximidade, uma polícia cidadã, se um desembargador que ocupa um autoposto na estrutura do Estado brasileiro, na estrutura do poder judiciário do nosso estado, tem medo da polícia. Como que eu posso eh achar que essa política de segurança pública me alcança, me contempla, me valoriza, me respeita? Se qualquer cidadão, desde a dona Maria, que mora lá no Ouro Verde, até o desembargador que mora lá no Souzas tem medo da polícia. Do meu ponto de vista humilde, do meu ponto de vista de homem negro, favelado, da zona sul de São Paulo, deveria ser o inverso. O cidadão comum, o trabalhador, o cidadão de bem, aquele e aquela que nada deve paraa justiça, que não pratica nenhum ato eh infracional ou ato criminoso, não deveria ter medo da polícia. Mas o que a gente percebe hoje é que a sociedade tem medo da polícia e isso é muito grave. Enquanto a sociedade tiver medo da polícia, infelizmente nós não teremos eh a polícia ou a segurança pública que efetivamente garante a nossa proteção. E é sobre isso que eu venho falar aqui hoje. Pois bem, nós temos uma Polícia Militar que a sua origem de formação, né, polícia, as polícias militares do Brasil, a sua origem de formação e de surgimento é um decreto lei da ditadura militar, o decreto 667 de 69, que é um decreto da ditadura militar que ainda hoje está em vigor no Brasil. Esse decreto lei 667 de 1969 estabelece que as forças policiais militares dos estados são forças auxiliares do exército. E o exército, por si só, é uma estrutura, militar estabelecida dentre as forças de defesa nacional, que trabalha na sua perspectiva com o a hipótese de de contraponto com o inimigo comum. Essa herança das polícias militares faz com que a própria Polícia Militar tenha no seu bojo a perspectiva de atuar contra o inimigo comum. e o inimigo comum é quem não é da corporação. Outro aspecto que é importante a gente trazer pro debate é o aspecto de que as estruturas policiais no Brasil são estrutura extremamente hierarquizadas que faz com que haja uma uma sobreposição de posturas de empoderamento eh que eh constrói uma série de distorões nas nos relacionamentos internos nas corporações. E quando eu estou falando, eu venho falar isso, eu quero falar, eu quero dar alguns exemplos. Um exemplo que eu quero dar para pra vereadora e para todos os cidadãos, cidadãos que estão nos assistindo aqui na Câmara, mas também através aí da da transmissão da TV Câmara, é o seguinte. Quando um soldado da Polícia Militar, por exemplo, e o mesmo se aplica a um investigador de polícia, o mesmo, na mesma lógica, se aplica a um guarda municipal ou ou a qualquer cargo um pouco mais baixo nas estruturas policiais. Por exemplo, nós vivemos uma situação hoje, vereadora, de que o o os policiais, especialmente no estado de São Paulo, são categoria categorias extremamente desvalorizadas, né? Para se ter uma ideia, um soldado da Polícia Militar há 30 anos atrás ganhava algo em torno, no início da carreira ganhava algo em torno de 10 salários mínimos e hoje ganha dois salários mínimos e meio. Esse é o nível de desvalorização que houve nas estruturas policiais aqui no estado de São Paulo. E na mesma lógica, todas as outras carreiras policiais do estado, elas sofreram distorões salariais históricas, né, ao longo dos últimos 30, 40 anos, que fizeram com que policiais, mesmo sendo proibidos de fazer bico, tenham que fazer bico. Agora vamos imaginar que um soldado consegue um bico numa padaria, num shopping, num lugar e esse bico ele é um bico que lhe dá uma boa renda, né? Complementar a sua renda ali do trabalho de policial, ele lhe dá uma boa renda de, sei lá, o soldado ganha 5.000 hoje, eh, ele vai ganhar no bico lá algo em torno de R$ 7.000. Quando o superior hierárquico dele descobre que ele tá fazendo esse bico, se esse superior hierárquico dele não gostar dele, ele ele muda ele de turno de trabalho para ele perder o bico, né? Se esse policial eh resolve fazer um curso superior, porque policiais hoje para acessarem a corporação, as fileiras da corporação, basta terem eh nível médio. Mas aí tem policiais que querem estudar, esse policial resolve fazer um curso superior e vai eh ingressar numa universidade. Quando o superior hierárquico dele descobre e não gosta dele, muda o turno de trabalho dele para ele não poder estudar. Tudo isso na intenção de prejudicar aquele policial. Agora, as perseguições não param por aí. Existe perseguição do ponto de vista eh da escala de trabalho, mudanças de escala de trabalho repentina para prejudicar escala extras. Não sei se eh todos aqui sabem, existe uma política de escala extra que os policiais são escalados para trabalhar fora do seu turno de trabalho e não recebem hora extra. Existem eh punições, existem eh eh perseguições do tipo do do policial ser escalado num posto, por exemplo, a gente anda pelas ruas, a gente vê viaturas paradas nas esquinas. Aqueles policiais, eles são obrigados a ficarem às vezes 8, 12, 8, 10, 12 horas parados naquela esquina sem poder ir ao banheiro. Porque se ele for ao banheiro e no momento que ele for ao banheiro passar o chefe dele, no caso de um soldado, um cabo é chefe dele, um cabo, um sargento, um subtenente, um tenente, um capitão, toda, toda a cadeia da Polícia Militar chefe dele, e fizer uma anotação de abandono de posto, ele pode ser demitido em razão disso. Então, perceba, vereadora, que a gente tem uma estrutura policial eh em São Paulo e no Brasil que carece de aperfeiçoamentos e reformas para garantir humanização das relações internas nas corporações. E eu estou sendo econômico porque eu ainda não falei das cantadas que que oficiais dão em mulheres de praças. Eu ainda não falei de interferências que oficiais fazem na vida de policiais praças. Eu não falei das pressões que existem internamente paraa entrega de ocorrências, que acabam gerando forjamentos, que geram mortes de inocentes e que geram toda uma sorte de de situações causadas pelas forças de segurança pública que a gente sequer imagina, que a gente sequer imagina. Mas isso gera uma outra coisa que a gente também não consegue imaginar às vezes pela distância que, como eu disse aqui inicialmente, há entre as corporações policiais e a população que acaba não conseguindo ter uma percepção do que é o ambiente policial. Isso gera adoecimento. Então, você tá numa estrutura policial que é extremamente hierarquizada, ela eh e essa hierarquização gera distorções eh de pensamento, distorões de comportamento que fazem com que pessoas e famílias sejam perseguidas, massacradas, violadas o tempo inteiro, né? Às vezes você pega um policial que prestou o concurso e aí ele de dada a classificação dele no concurso e na e na na escola de formação, ele tem que ficar 2 3 anos longe da família, em cidades longíquas, longe da família. Esses policiais, por exemplo, um policial de Campinas, Campinas que é muito perto da capital, que trabalha na capital e trabalha 12 horas por dia na capital, ele tem que trabalhar 12 horas por dia na capital. E ele tem 12 horas de descanso. Como ele ganha muito mal, ele tem que fazer o bico. Se ele faz o bico, ele não consegue visitar a família. Aí você tem uma quebra de vínculo fundamental paraa formação pra formação da da sustentação psíquica daquele cidadão que já vive tenso, que já trabalha num serviço muito tenso, né? e ele acaba se submetendo a uma segunda jornada de trabalho na qual a tensão é ainda maior, porque quando esse policial que faz bico e aí 95,9% dos policiais, 97% dos policiais fazem bo, quando o policial tá trabalhando na corporação, ele tem algumas coisas que o protegem. Ele tem um EPI eh, que é eh ele tem um EPI que é o colete, ele tem a farda, que é a representação do estado, ele tem uma viatura, ele tem um colega e ele tem uma arma. Quando ele vai fazer o bico, ele não tem a arma, ele não tem o colega, ele não tem a farda, ele não tem a viatura e ele não pode fazer o bico com a arma da corporação. Então imagine se durante o período de trabalho dele formal na corporação, o trabalho é tenso. Imagine fora desse período de trabalho se há tensão. Há muito mais tensão. Soma-se a isso esse distanciamento familiar. Soma-se a isso, altos endividamentos, soma-se a isso as perseguições internas, soma-se a isso as várias eh eh situações eh de na nas quais os policiais lidam todos os dias, situações de ter que entrar em áreas conflagradas, eh eh todos esses tensionamentos gerados por essa perspectiva, somando-se a isso ainda, a falta de valorização que faz com que esses policiais tenham que alugar casas que garantam sua segurança, casas, apartamentos que garantam sua segurança, que aluguéis esses que consomem algo em torno de metade do seu salário líquido da corporação, você percebe o nível de tensionamento em que vivem os policiais eh em São Paulo e no Brasil. Diante dessa situação e diante de toda essa conjuntura interna nas corporações, eu tenho dito que tem acontecido uma coisa que é o efeito pitbull. Na década na nos anos 2000 surgiram aí virou mania nacional as pessoas terem pitbull. E aí as pessoas faziam o quê? Pegavam o pitbull. pegava o pitbll recém-nascido, né? cortava o rabo, cortava a orelha, prendia e dava bife com pimenta pro pitbull comer. E esse pitbull ia sendo tratado ali nessa dessa forma, o tempo inteiro. O tempo inteiro. Quando esse pitbll fazia 1 ano, 2 anos já em idade pré-adulta ou adulta, e você ia caminhar com esse pitbull ou alguém entrava no quintal que tinha um pitbull, o pitbll simplesmente ele agredia as pessoas ou outros animais ou crianças de forma fatal. É o que acontece hoje com as corporações policiais no Brasil e em São Paulo. Nós estamos dentro das estruturas policiais criando pitbulls e os soltando na sociedade, porque dentro da estrutura policial, o policial deve satisfação ao superior dele. Só que quando ele tá na rua e lida com a população, na cabeça dele é a população que deve satisfação a ele. é a população que está em situação de inferioridade a ele. E aí a gente tem os resultados que a gente tem. Extrema, algo em torno de 80 de 79,7% das pessoas que morrem vítimas eh de morte decorrente de intervenção policial são pessoas negras. Desde que nós promulgamos o o a principal ferramenta legal de proteção das mulheres, nós aumentamos três vezes o número de mulheres vítimas de violência. E dessas mulheres, e aí em relação à população negra, historicamente a gente tem defendido, desde a minha juventude, nós temos defendido que há um genocídio em curso no Brasil. Agora, 10 anos depois da promulgação da Alemaria da Penha, o que nós temos que defender é que há um duplo genocídio em curso no Brasil, que é um genocídio da juventude negra, porque quem morre na mão da polícia são pessoas entre 17 e 23 anos, quando muito, 24, 25 anos. Racionais cantou há 20 anos atrás, 27 anos, contrariando as estatísticas. Quer dizer, nós não chegar, nós não chegamos aos 27 anos de idade e agora nós temos nós nós temos vivido a experiência da violência contra as mulheres. É um duplo genocídio que há em curso no Brasil. Tudo isso fruto de um sistema que se retroalimenta da morte, que se retroalimenta da criminalização de comunidades inteiras, que se retroalimenta da violência. Um sistema que quando coloca um policial dentro de um de uma estrutura de treinamento e capacitação, ensina ele fazer a mão das pessoas. Ou nós não vimos uma ocorrência recentemente em Sorocaba que se faz o cerco a um grupo de jovens que estava praticando um assalto contra uma farmácia. Os os jovens estavam acuados, há uma série de tiros disparados pelos policiais e aí um infeliz entra na porta de do da do carro onde as pessoas estavam mortas, que foram executadas segundos antes, e tenta fazer a mão de uma das pessoas que estavam dentro do veículo e acaba matando o seu colega de trabalho. É sobre isso que nós estamos falando quando a gente quer discutir segurança pública. É sobre uma segurança pública que não nos contempla e permanecendo sob essa perspectiva que tá colocada não nos contemplará. É sobre essa lógica que a gente precisa discutir e dialogar no sentido de romper esse ciclo histórico de violência que afeta apenas uma parte da sociedade, qual seja a população negra, pobre e periférica. Porque as classes abastadas estão protegidas ou estão protegid protegidas pelos seus carrões blindados, pelas suas mansões extremamente protegidas por policiais fazendo bico e segurança privada ou estão protegidas porque estão trabalhando em edifícios extremamente seguros e que eh garantem assim a sua segurança. Portanto, é um desafio que tá colocado pra sociedade brasileira, especialmente no ano de 2026, pensar e refletir com a sua representação política se a segurança pública que nós estamos vivenciando é a segurança pública que deve ser eh a segurança pública do futuro. Diante disso, eu quero trazer aqui uma reflexão. Nos últimos anos, com o avanço do debate de segurança pública no imaginário popular, ganhou-se notoriedade e e reverberação o debate de inclusão das guardas municipais ou das guardas civis metropolitanas no sistema de segurança pública. Porque quando lá nos primórdios de quando essas estruturas policiais foram criadas, elas foram criadas com a intenção de que houvesse uma corporação municipal que fosse responsável por dar conta de proteger o as estruturas públicas da municipalidade no sentido de que elas fossem preservadas. não violadas e assim sucessivamente com o crescimento, né, com a falência do sistema de segurança pública que defende que bandido bom é bandido morto e defende o encarceramento penal, notadamente o sistema de de segurança pública baseada baseado no populismo penal que vende a saída fácil, que vende a solução fácil por problema da segurança pública, com a falência desse esse sistema, há um grande apelo nacional, especialmente por parte eh da população que quer solução paraos seus problemas, para que as estruturas das guardas municipais sejam anexadas ou seja, ou sejam integradas ao sistema de segurança pública. Há vários equívocos nesse debate. O primeiro equívoco que há nesse debate é que eh definitivamente no Brasil não há um sistema de segurança pública estabelecido. A verdade é que se a pessoa comete um crime no Rio de Janeiro, muda para São Paulo e tira uma RG em São Paulo, ela é outra pessoa. Os sistemas não dialogam, não há inteligência em curso, não há troca de informações, não há troca de inteligência, não há troca de tecnologia. Portanto, essa e não há um sistema de segurança pública, porque o sistema, como o próprio nome diz, ele precisa ser sistêmico. Nós temos experiências de políticas públicas sistêmicas no Brasil que a gente pode exemplificar aqui. O Sistema Único de Saúde é um deles, que é referência pro mundo inteiro. O Sistema Único de Saúde é um sistema por quê? Porque toda a cadeia do Sistema de Saúde dialoga entre si. né? E para completar e consolidar a legitimação desse diálogo do Sistema Único de Saúde, né? Você tem um cartão do SUS que se você for lá no Rio Grande do Sul é o mesmo cartão do SUS. Você tem uma unidade básica de saúde que precisa ter um conselho gestor para poder funcionar. Quer dizer, a participação social tá ali. Você tem uma cidade que se não tiver o Conselho Municipal de Saúde funcionando, não acessa recursos federais. do Sistema Único de Saúde, que tá inclusive cravado na Constituição da República. O sistema de segurança pública não tá na Constituição da República. O Sistema Único de Segurança Pública foi ter uma legislação sobre o Sistema Único de Segurança Pública através de lei ordinária a partir de 2015 apenas, né? A lei ordinária, ela é insuficiente para estabelecer uma sistematização da segurança pública, porque ela não tá na Constituição da República. E, portanto, nós não temos o sistema de segurança pública. Já é um equívoco. outro equívoco nesse debate e de guarda como polícia. E eu quero deixar claro, vereadora, que eu tenho muita simpatia pela possibilidade de termos uma polícia municipal. E a minha simpatia ela se dá pelo fato de que eu acredito que se a gente tiver uma outra polícia fardada, ostensiva, a gente pode ofertar pra população uma outra experiência de relacionamento com uma polícia que não tem na sua gênese o militar. ismo, o sentimento militar. E eu acho que talvez essa experiência possa ser uma experiência relevante. Agora existem vários equívocos que estão eh acontecendo nessa trajetória do debate das GCMs virarem eh polícias municipais que a gente precisa considerar e que faz com que pessoas como eu guardem os seus anseios de se ter uma polícia municipal e, portanto, uma polícia não militarizada, fardada, eh, praticando policiamento ostensivo. É. numa caixinha que não lhes permite impulsionar esse debate. Qual que é esse equívoco? O equívoco é que as guardas municipais, a partir desse impulsionamento do anseio popular por segurança pública, resolveram criar eh suas identidades, né, ou redefinir suas identidades a partir do que é a postura da Polícia Militar. E aí o que a gente tem visto espalhado pelo estado de São Paulo e pelo Brasil são guardas municipais. que se ocupam de buscar que se ocupam de buscar ser polícias militares. Então, eles estão pegando os maiores defeitos que as polícias militares têm e estão trazendo para si. Ou seja, tem uma batalha de rap acontecendo numa praça na periferia. Tem lá 30 jovens batalhando. Jovens que estão aprendendo a produzir evento, jovens que estão aprendendo a divulgar evento, jovens que estão estudando em casa para chegar na rua e fazer uma batalha e fazer uma batalha decente para vencer a batalha e tratando na borrachada, dispersando no gás de pimenta, dispersando no gás lacrimogênio. Portanto, essa postura não é uma postura que seja relevante. E isso faz com que pessoas que t alguma simpatia pela perspectiva das GCMs virarem eh polícia municipal recuem da sua perspectiva, porque infelizmente o que a gente tá verificando é que existem distorções que ainda precisam ser superadas para que efetivamente a gente tenha uma polícia militar, uma polícia municipal. E a gente também tá acompanhando o debate sobre eh adoecimento mental nas corporações policiais. Eh, existe uma coisa muito relevante. No dia 11/05, a cidade de Campinas vivenciou uma situação extremamente assustadora. Um GCM matou a sua própria esposa no dia do casamento deles. Isso é muito simbólico e eh abateu a cidade de uma forma que as pessoas não conseguiram ainda compreender qual que é o significado desse ato praticado por esse GCM. Pois, vereadora Guida Calisto, senhoras e senhoras que nos assistem através da TV Câmara, senhoras, senhoras que estão aqui nesse plenário acompanhando o nosso debate. No ano de 2023, que foi o primeiro ano que eu estive à frente da ouvidoria da polícia, nós tivemos nada menos do que nove policiais morrendo em confronto no estado de São Paulo e 31 policiais morrendo de suicídio. os dados de mortes por suicídio e adoecimento mental nas corporações policiais brasileiras e nessas eu passo a incluir as guardas civis metropolitanas ou as guardas municipais, eles são mais do que epidêmicos. Eles são muito, eles são 10 vezes acima dos dados de adoecimento da sociedade como um todo. E isso é muito alarmante. É um debate que também a sociedade precisa se apropriar pra gente poder entender o que tem levado esses policiais a esse nível de adoecimento que causa que causa neles inclusive a tirada de sua própria morte. A morte da soldado Gisele Alves, morta pelo tenente coronel Neto, esse ano em São Paulo, não é caso isolado, não é qualquer coisa, são coisas, são ela, elas fazem parte a morte da esposa do GCM pelo próprio GCM, a morte da soldado Gisele Alves, 40 policiais mortos em um ano na Polícia Militar do Estado de São Paulo. Esses 40 policiais mortos, 31 de suicídio. Não é qualquer coisa. Esses dados dizem respeito a um estado de coisas que ocorrem no interior das corporações e fora dessas corporações que dizem respeito desde a perseguições, massacre, violações, violências, assédios, assédios morais, assédios sexuais, desvalorização, consequente entrada no submundo das drogas de policiais, e agentes de segurança pública que culminam com esse resultado. E aí, vereadora, a bancada da bala vai dizer para nós, como eles costumam dizer, que o Brasil é o país que mais mata policiais. E nós temos que concordar, o Brasil é o país que mais mata policiais, mas quem tá matando os policiais são as próprias corporações policiais. E agora com a morte da esposa do GCM, que ia casar no dia do próprio casamento, com a morte da saudade Alves e com outros, com a com a com a Nila, né, com a morte da Nágila, com a morte da Gisele Alves, a gente começa a perceber que o caldeirão tá derramando para fora e tá alcançando as famílias. Uma coisa eu posso te dizer, vereadora, há muitos anos, desde que esse país é país, desde que a polícia nesse país, isso já reverberou, já tem reverberado na população negra há muito tempo. E a impressão que a população negra tem, eu, homem negro que sou, na condição de homem negro, morador de favela da periferia de São Paulo, tem a impressão que a gente tem é que isso jamais vai acabar. É que isso jamais vai acabar. A gente espera que a gente possa eh aproveitar o ano de 2026 e refazer o debate de segurança pública no Brasil, refazer o debate de segurança pública de forma transversal, refazer o debate de segurança pública passando a pensar e a imaginar, a trazer pro nosso imaginário e pro imaginário popular, pro imaginário comum, que segurança pública não é apenas caso de polícia, que segurança pública é caso de se pensar a partir da perspectiva da política municipal, a política de iluminação pública, uma rua mais iluminada, vereadora, a senhora que vem de camadas populares, que foi empregada doméstica, que é a rimo de família, que vivencia a situa que já vivenciou e vivencia ainda hoje as condições de uma mulher negra, moradora de uma de uma grande metrópole, sabe que uma rua iluminada dá mais segurança para uma mulher. que sai 5 da manhã para ir pro trabalho e que volta à meia-noite da universidade. Isso nos faz crer que a política de segurança pública não é apenas caso de polícia. Quando a gente coloca no nosso imaginário que apenas a polícia tem que atuar no na segurança pública, a gente super empodera a polícia dando para ela legitimidade, inclusive para promover forjamentos que a gente sabe que não param de acontecer nas periferias. E também damos para ela responsabilidades extenuantes que fazem com que os policiais, eles próprios se matem suas famílias e matem os nossos jovens nas periferias das nossas cidades. Portanto, eu quero que eu quero aqui deixar a reflexão de que jovens numa praça praticando uma batalha de rap é segurança pública, porque as pessoas que vão circular aquele ambiente ali indo pro trabalho, voltando da universidade, vão est ali vivenciando a política da autotutela. Aquele que que teria a intencionalidade de praticar ali uma violência, não vai praticar, porque tem pessoas ali, tem gente com celular ali, tem gente testemunhando. Então, nós estamos nos protegendo, nós estamos protegidos quando uma praça tá ocupada. O uso do espaço público é proteção para todo mundo, né? Agora mesmo, essa semana aconteceu um caso formidável aqui na região de Campinas, na cidade de Indaiatuba. Pessoas que tinham praticado ou estavam na prática delituosa fugindo eh eh em fuga adentrar a cidade de Indaiatuba. A cidade de Indaiatuba é uma cidade extremamente eh monitorada, vigiada. acendeu o alerta em razão de uma placa de uma placa fria do do carro que essas pessoas dirigiam. A GCM eh iniciou um acompanhamento. Nesse acompanhamento houve uma troca de tiros. Essas pessoas não conseguiram eh fugir dos GCMs, pararam em um determinado ponto da cidade e mesmo tendo a vida troca de tiros, a GCM de Indaiatuba, que está de parabéns, conseguiu abrir uma negociação e eh fazer com que aquelas pessoas se entregassem para serem submetida ao crime da justiça, sem que nenhum GCM fosse ferido, alvejado ou morto e nenhuma daquelas pessoas que estavam praticando um ato criminoso pudesse serem mortos. também eh, garantindo assim o cumprimento da Constituição, que estabelece que o primeiro bem a ser preservado dos cidadãos e cidadãos brasileiros é a vida. Então, é sobre essa política de segurança pública que a gente quer dialogar, é sobre essa política de segurança pública que a gente quer construir, porque nós, como eu disse aqui, estamos há 30, 40 anos sob a lógica do bandido bom é bandido morto. E há 30, 40 anos atrás nós não tínhamos 30, nós não tínhamos nós não preenchimos uma mão com facções de crime organizado no Brasil. E hoje nós temos 78 grupos criminosos atuando no Brasil, inclusive grupos de outros países atuando aqui no nosso no nosso país. Portanto, essa lógica perversa não pode continuar vigorando. A lógica da vingança, a lógica do encarceramento em massa, mas não o encarceramento para aprender e pra pessoa voltar ressocializado. o encarceramento, porque se sabe que não tem não tem custódia digna, como determina a Lei de Execuções Penais, não tem eh acesso à educação no sistema prisional, como determina a Lei de Execuções Penais, não tem acesso à cultura no sistema prisional, como determina a Lei de Execuções Penais, não tem acesso ao trabalho no sistema prisional, como determina a lei de execuções penais. O que tem é masmorra, o que tem é tortura psicológica, tortura física, adoecimentos, tuberculose, sarna. O que tem é isso. Então, a lógica hoje da política de segurança pública e da política de encarceramento em massa é uma lógica de vingança e não uma lógica de promoção da justiça e de ressocialização das pessoas para que a gente possa viver numa sociedade mais justa. E essa lógica não tem funcionado. O que ela tem feito é colocar, levado comunidades e juventudes inteiras ao ao braços do crime organizado e fortalecido o crime cada vez mais no Brasil. E não é isso que a gente deseja. Muito obrigado. Obrigada, Claudinho. Muito obrigada pelo debate. Ótimo debate. Eh, tenho certeza absoluta que o Claudinho poderia ficar mais um bom tempo aqui debatendo. Eu acho que boa parte do que ele falou é algo que tem nos preocupado muito, preocupado a cidade, preocupado o estado, preocupado as pessoas, as famílias, enfim. E e com certeza, Claudinho, penso que nós poderíamos eh avançar mais ainda nesse tema e que você possa voltar aqui em outro momento. Infelizmente nosso tempo já encerrou. Quero registrar a presença aqui do Paulo Mariante, que é o militante também, né, do Fórum Municipal de Direitos Humanos, militante da área de de direitos humanos, advogado e acompanha muito esse tema também. Obrigada, Paulo. Infelizmente não vou conseguir abrir o espaço aqui de fala porque logo em seguida vai começar a sessão. Eu só queria pedir pro Claudinho falar rapidamente porque eu já tenho que encerrar. Claudinho, eu sei que você tem rede social e que você debate isso também nas suas redes. Se você puder falar rapidamente aí as suas redes para que a gente possa acompanhar. @claudinosilvavolvidor. Tá. É, essa é o Instagram, né? Esse é o Instagram e esse também é o TikTok. TikTok. Tá bom. @ @claudinhosilvavouvidor ouvidor. Tá bom? Bom, pessoal, é isso. Eu vou encerrar aqui porque o pessoal aqui da casa, os servidores precisam organizar aqui o espaço porque logo em seguida, daqui 5 minutos, vai começar a sessão ordinária. Então, quero encerrar essa primeira parte, agradecer as pessoas que acompanharam e agradecer também os servidores que tornaram possível e agradecer sobretudo o Claudinho Silva, ex-ovidor das polícias aqui e que ele possa voltar num outro momento para que a gente possa aprofundar esse tema que, como ele disse, esse ano é um ano eh muito importante, ano que esse tema da segurança pública vai vir com tudo e nós queremos refletir sobre uma pauta da segurança pública seja que seja mais humana, que seja eh uma segurança coletiva de fato, né? Não uma não uma segurança pública com base no ódio e com base no extermínio. Muito obrigada, Claudinho. Agradeço. Encerrada então a primeira parte, dentro de instantes você acompanha a 36ª reunião ordinária transmitida pela Câmara de Campinas, pela TV. Até mais. TV Câmara Campin A Câmara Municipal de Campinas realiza nesta quarta-feira, 10 de junho, uma 36ª reunião ordinária de 2026. Serão discutidos e votados sete projetos de lei.