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Estudo da Unicamp revela dieta urbana de macacos-prego em Campinas

Pesquisa da Unicamp na mata de Santa Genebra mostra que fim do milho experimental levou primatas a comer amora e até pão e biscoito doados por moradores.

Por Redação TV Câmara Campinas
Macaco-prego se alimenta em árvore na Mata de Santa Genebra, em Barão Geraldo, durante pesquisa da Unicamp, TV Câmara Campinas
Macaco-prego se alimenta em árvore na Mata de Santa Genebra, em Barão Geraldo, durante pesquisa da Unicamp, TV Câmara Campinas

Um estudo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) mapeou novamente a dieta dos macacos-prego que vivem na mata de Santa Genebra, em Barão Geraldo, trinta anos depois de um primeiro levantamento sobre o tema. A pesquisa, apresentada no quadro É O Bicho, da TV Câmara Campinas, aponta que o grupo passou a depender de espécies vegetais exóticas e, em alguns casos, de alimentos deixados por moradores da região.

O trabalho foi conduzido pelo aluno João Vitor, que acompanhou o grupo de primatas e coletou amostras de fezes para identificar as sementes consumidas pelos animais. O objetivo era comparar os hábitos alimentares atuais com um levantamento realizado na mata havia cerca de 30 anos.

Fim do milho muda rota dos animais

Segundo o orientador da pesquisa, há três décadas uma plantação de milho experimental, mantida ao lado da mata, respondia por cerca de 30% da dieta dos macacos-prego. Sem acesso à lavoura hoje, o grupo passou a sair da floresta em direção à arborização urbana do bairro.

Na verdade o que ele viu é que eles saem aqui pra região do bairro. Então tem nas árvores da arborização urbana amora, tem várias outras plantas, então eles saem e comem dessas plantas, descreveu o orientador da pesquisa.

Entre as espécies encontradas está a amoreira, planta exótica originária da China, hoje presente nas ruas do entorno da mata. O levantamento também identificou casos em que moradores oferecem pão e biscoito aos animais, mesmo com o esforço da Prefeitura de Campinas para coibir a prática.

Dois riscos identificados pela pesquisa

De acordo com o pesquisador, alimentos ultraprocessados como pão e biscoito podem prejudicar a saúde dos primatas. Já o consumo de frutos de plantas exóticas traz outro tipo de risco: as sementes ingeridas no bairro são levadas pelos animais de volta à mata, o que pode dificultar a regeneração da vegetação nativa.

A mata de Santa Genebra é o segundo maior fragmento florestal do município de Campinas. Situação semelhante foi observada pelos pesquisadores na região de Souzas, onde fragmentos menores, de cerca de 80 hectares, abrigam grupos de macacos-prego que também se alimentam de milho de produção agrícola local.

Alimentação natural depende do ciclo das estações

Segundo a pesquisa, o padrão natural da floresta alterna um verão chuvoso, com grande frutificação, e um inverno seco, com menor oferta de frutos. Esse ciclo, segundo o orientador, ajuda a regular a reprodução dos macacos-prego.

Se a gente chega na estação seca, o inverno, e a gente começa a dar muita comida, eles podem não ter essa parte de emagrecimento e depois ter uma reprodução maior, ter mais filhotes, afirmou o pesquisador.

Na mata de Santa Genebra, os animais ainda encontram frutos de espécies nativas como jequitibá, jatobá e o chamado mamãozinho da mata, considerados suficientes para manter o grupo sem depender de alimentos externos.

Os pesquisadores afirmam que, até o momento, não houve confirmação de dano às espécies nativas da mata pela introdução de sementes exóticas, mas a equipe pretende manter a atenção sobre o tema nas próximas etapas do estudo.

Assista à íntegra

A matéria completa foi ao ar no É O BICHO da TV Câmara Campinas. Assista ao vídeo original: É o Bicho | Alimentação Macacos-prego Mata.

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Acervo TV Câmara

É o Bicho | Alimentação Macacos-prego Mata

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