Unicamp explica avanço do envelhecimento populacional no Brasil
Demógrafa da Unicamp Luciana Alves afirma que idosos já somam 32 milhões, 15,8% da população, segundo o Censo 2022 do IBGE.
O Censo Demográfico de 2022 do IBGE mostra que pessoas com 60 anos ou mais já representam 15,8% da população brasileira, o equivalente a 32 milhões de indivíduos. Os números foram discutidos no programa Ponto de Vista, da TV Câmara Campinas, exibido em 26 de outubro de 2026, com a demógrafa Luciana Alves, professora do Departamento de Demografia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp e pesquisadora do Nepo, o Núcleo de Estudos de População.
Segundo Luciana Alves, o envelhecimento da população brasileira resulta da combinação de dois movimentos demográficos. O primeiro é a queda da fecundidade, que começou nos anos 1980 e se acentuou a partir dos anos 2000, responsável pelo aumento da proporção de idosos no total da população. O segundo é a redução da mortalidade infantil, observada desde a década de 1940 e intensificada a partir de 1991 e 2000, que amplia a longevidade da população.
A gente tá experimentando na população brasileira tanto o aumento da proporção de idosos e o aumento da sobrevivência desses idosos, que é o que a gente chama de longevidade, afirma Luciana Alves.
A demógrafa explica que a queda da mortalidade infantil está ligada a mudanças estruturais da sociedade, como avanços do saneamento básico, ações de prevenção, evolução da medicina e vacinação. Já a redução da mortalidade em idades mais avançadas decorre do controle de doenças crônicas e da busca das pessoas por hábitos de vida mais saudáveis, como melhor alimentação e atividade física.
Disparidade entre regiões
Para Luciana Alves, o processo de envelhecimento não ocorre de forma homogênea no território brasileiro. As regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste apresentam queda mais acentuada da mortalidade, resultado de serviços de saúde mais desenvolvidos, menor desigualdade e maior escolaridade e renda da população. Já as regiões Norte e Nordeste ainda estão em processo de transição demográfica.
A pesquisadora também relaciona a queda da fecundidade a mudanças sociais e econômicas vividas pelas mulheres nas últimas décadas. Segundo ela, a ampliação da escolaridade feminina, a entrada da mulher no mercado de trabalho e o aumento da autonomia e da renda das mulheres contribuíram para que elas passassem a ter menos filhos e a adiar a maternidade para idades mais avançadas.
De acordo com a entrevista, o envelhecimento populacional traz impactos diretos para a previdência social, o mercado de trabalho e a saúde pública, temas que devem orientar o debate sobre políticas públicas voltadas à população idosa nos próximos anos.
Assista à íntegra
A matéria completa foi ao ar no PONTO DE VISTA da TV Câmara Campinas. Assista ao vídeo original: Ponto de Vista | Brasil Está Envelhecendo: Os Desafios de uma Nova Sociedade.
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