TV Câmara Campinas exibe história de advogado que superou dependência química
Thiago Nogueira perdeu a mãe aos 12 anos e o irmão aos 15, viveu quatro anos na Cracolândia e hoje atua como advogado no quadro Histórias de Vida.
O advogado Thiago Nogueira relembra a trajetória que o levou da zona norte de São Paulo às ruas da Cracolândia em entrevista ao quadro Histórias de Vida, exibida pela TV Câmara Campinas nesta quarta-feira (07/10). Ele perdeu a mãe aos 12 anos e o irmão mais velho aos 15, ambos com HIV, e viveu nas ruas entre 2008 e 2012.
Nogueira descreve a própria infância como boa e cita a mãe, a avó e os tios como presenças marcantes nesse período. Começou a jogar futebol aos sete anos e disputou campeonatos paulistas até os 12 anos de idade.
Foi também aos 12 anos que a mãe revelou ser portadora do vírus HIV e pediu que ele cuidasse da avó e da irmã. Segundo ele, na década de 1990 não existiam os coquetéis antirretrovirais atuais e o preconceito em torno da doença era maior.
Isso mexeu com a minha cabeça. E a partir desse momento, eu fui conhecendo pessoas e essas pessoas me apresentaram as drogas.
A avó de Nogueira morreu de câncer quando ele tinha 20 anos, mais uma perda em uma sequência de lutos que marcou sua adolescência e o início da vida adulta.
Ele relata ter conhecido primeiro a maconha, depois o álcool, em seguida a cocaína e, por fim, o crack, que descreve como o ponto mais grave do consumo.
O crack é o fundo do poço. No começo, ele dá aquele prazer, aquela sensação, mas depois ele aprisiona e a pessoa se torna um escravo, fica refém dele.
Aos 22 anos, enquanto trabalhava com o tio, Jorge, em um ferro-velho de sucata de zinco, Nogueira passou a fumar crack quase todos os dias, por cerca de três anos, até os 25 anos de idade.
Quatro anos na Cracolândia
Em 2008, Nogueira decidiu deixar de incomodar a família e foi viver na Cracolândia, na Rua dos Gusmões, região central de São Paulo. Ele descreve o local, à época, como uma rotina organizada em funções informais: os chamados cachaceiros, responsáveis pela cachaça, os cachimbeiros, que faziam os cachimbos, e os biriqueiros, que vendiam pedaços de crack por valores entre um e cinco reais.
Para sobreviver, recorria a locais de alimentação conhecidos como boca de rango, onde também tomava banho e trocava de roupa, além de fazer reciclagem, descarregar contêineres e pedir dinheiro em faróis. Permaneceu nessa rotina de 2008 a 2012.
Um sonho como ponto de virada
Segundo Nogueira, o que o motivou a mudar de vida foi um sonho, associado a uma virada cultural que ocorria em 2012. A partir desse momento, ele deixou as ruas e reconstruiu a trajetória pessoal e profissional até se tornar advogado. Hoje, atua ajudando pessoas que ainda enfrentam a dependência química.
Assista à íntegra
A matéria completa foi ao ar no HISTÓRIAS DE VIDA da TV Câmara Campinas. Assista ao vídeo original: Histórias de Vida | Thiago Nogueira.
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