Doença de Creutzfeldt-Jakob avança rápido, alerta neurologista
Neurologista Francine Mendonça detalha sintomas, causas e diagnóstico da doença rara que atingiu o influenciador Lito Souza, do canal Aviões e Músicas.
A neurologista Francine Mendonça participou da edição de 17 de setembro de 2026 do programa Saúde Agora para explicar a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), condição neurodegenerativa rara e sem cura que ganhou repercussão após o diagnóstico do influenciador Lito Souza, do canal Aviões e Músicas.
Segundo a médica, a DCJ é causada pelo dobramento anormal da proteína príon, presente naturalmente nos neurônios e fundamental para o funcionamento cerebral. Quando essa proteína se dobra de forma anormal, ela contamina outras proteínas saudáveis em um processo que a especialista compara a um efeito dominó.
"Esse efeito dominó leva à degeneração neuronal. E aí que vão aparecendo os sintomas, que são diversos", afirmou Francine Mendonça.
Os primeiros sinais costumam envolver alterações cognitivas, como perda de memória e lentidão no processamento de informações. A doença também pode se manifestar por incoordenação motora, perda de força em um lado do corpo, como ocorreu no caso de Lito Souza, além de alterações visuais, mioclonias, que são abalos musculares involuntários, e mudanças psiquiátricas e comportamentais.
De acordo com a neurologista, 85% dos casos de Creutzfeldt-Jakob são esporádicos, sem fator de risco ou causa conhecida, o que impede qualquer recomendação de prevenção específica. O restante dos casos pode ser adquirido por dois caminhos: contato com instrumentos médicos contaminados por tecido cerebral, da medula ou do olho que não passaram por esterilização adequada, ou pela variante da doença associada ao chamado mal da vaca, registrada no Reino Unido, quando pessoas se alimentaram de carne de animais infectados.
Francine Mendonça explicou que o diagnóstico da DCJ é um desafio porque os sintomas iniciais se confundem com outras demências rapidamente progressivas, além de quadros metabólicos, autoimunes e infecciosos. Um sinal de alerta importante é a combinação de déficits neurológicos que se acumulam em pouco tempo, muitas vezes acompanhados de mioclonias, o que exige avaliação neurológica.
Diante da suspeita, o acompanhamento pode incluir ressonância magnética, exame que costuma apresentar sinais sugestivos da doença, análise do líquido da coluna, conhecido como líquor, e exames mais específicos para confirmar o diagnóstico.
A doença de Creutzfeldt-Jakob não tem tratamento curativo. Segundo a neurologista, o cuidado médico se concentra no acompanhamento do paciente diante da evolução rápida do quadro.
Assista à íntegra
A matéria completa foi ao ar no SAÚDE AGORA da TV Câmara Campinas. Assista ao vídeo original: Saúde Agora | Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ).
Vídeo relacionado